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Concerto solidário da Associação Raquel Lombardi em prol do programa de apoio social da Berlinda a crianças hospitalizadas

Foto: O trio de músicos do concerto solidário em palco. Mariana Bröcklemann de Oliveira, equipa Berlinda © Cristina Dangerfield

No âmbito do programa Unidos, a Associação Cultural e de Solidariedade Social - Raquel Lombardi, em colaboração com o Hotel Riu Plaza e a Embaixada de Portugal, promoveram um concerto cujos lucros reverteram para o programa de apoio a crianças falantes do português internadas em hospitais de Berlim e Brandenburgo iniciado pela Berlinda em 2012.

 

Raquel Lombardi, a presidente desta Associação, com sede no Funchal, voou da Madeira para Berlim, patrocinada pela Câmara Municipal do Funchal e acompanhada de vários músicos estrangeiros, residentes no arquipélago, a que se juntaram outros que vivem localmente, na capital alemã, para promover um espectáculo, visando angariar fundos para o trabalho da Berlinda, na sua vertente de apoio social. O concerto, realizado no dia 10 de Fevereiro, no Hotel Riu Plaza, registou um reportório bastante variado, que foi da música clássica até ao rock, de Albinoni a Led Zeppelin, terminando com música cubana. Luciano Lombardi, italiano, casado com a madeirense que iniciou aquela associação, e Pedro Zamora, venezuelano, interpretaram várias peças musicais com guitarra clássica e guitarra de Jazz. Ambos os músicos são professores do Conservatório de Música da Madeira. Pedro Zamora realçou que «a música é parte de nós e serve para unir as pessoas», parafraseando o nome do programa e mote da Associação. Higino Andrade, português e madeirense, a viver em Berlim, e antigo aluno de Pedro Zamora, contribuiu com o contrabaixo para enriquecer o programa musical. Na segunda parte do espectáculo, Ernesto Rodriguez, conhecido canto-autor de Cuba, subiu ao palco e disse «não vamos falar de política mas sim de amor». Dedilha com precisão exímia a sua guitarra, largando acordes vibrantes, enquanto o seu amigo, Daniel Almeida, argentino, se expressava na melódica, com jovialidade e bom humor, terminando assim esta fantástica noite ao som dos ritmos cubanos. Rodriguez afirmou, com um olhar brincalhão, que «por cada música um filho», e com um gesto largo aponta para as crianças de idades várias que correm pela sala.

A motivação de Raquel Lombardi para a criação da associação Lombardi prende-se com a sua própira história de vida: «Descobri que tinha cancro de um dia para o outro e parti para Lisboa para consultar um especialista. Durante o segundo tratamento de quimioterapia, há dois anos, pensei em formar um projecto solidário e artístico para levar uma mensagem de força aos afectados por doenças oncológicas», explica.

Filha de pais madeirenses e casada com um italiano, Raquel é professora de crianças com necessidades especiais, incluindo casos de crianças com paralisia cerebral. Iniciou o projecto da Associação Lombardi, a partir da Madeira, com apoios locais. Já estiveram em Lisboa, Itália e, recentemente, vieram a Berlim para dar este espectáculo de apoio ao trabalho social da Berlinda. Ao todo já deram nove concertos, além de conferências para alertar para a doença e a necessidade de fazer rastreios. «Vamos sempre com músicos do Conservatório de Música da Madeira que se associam à nossa causa. Pretendemos alertar sobre o cancro feminino através do nosso projecto artístico e musical. Damos concertos solidários por uma causa, por vezes, concreta, como foi o caso de um menino que precisava de uns óculos, de uma doente oncológica que precisava de um frigorífico, entre outros».

 

Este concerto em Berlim teve o apoio do director do hotel Riu Plaza, Manuel Cid, que Raquel conhecia do Funchal, e que apoia esta causa desde o início. «Um dia visitei-o no hotel e disse-lhe que precisava de ajuda para um projecto e desde então tem-nos apoiado imenso». A Embaixada de Portugal foi outra entidade que apoiou a organização do concerto. 

 

 

O programa de apoio e visitas a crianças hospitalizadas, cuja responsável é Mariana Bröcklemann de Oliveira, faz este ano 6 anos. É fruto de uma parceria da Berlinda com o Friedensdorf International, uma instituição que faz acompanhamento médico e cuida de crianças de 1 ano aos 13 anos de idade.

 

«Desde 2012 visitamos crianças que estão hospitalizadas e cuja língua materna é o português. Já visitámos cerca de trinta crianças apoiando-as, falando português com elas, confortando-as e acompanhando-as psicologicamente, porque essas crianças estão aqui sozinhas e sem família, e não falam alemão. Quando estão em idade escolar, e como não podem ir à escola, apoiamos com aulas de matemática, de português e com trabalhos manuais. Todo o trabalho é voluntário. Temos trinta voluntários na região de Berlim e de Brandenburgo e são eles que acompanham estas crianças.», refere Mariana. 

 

A Berlinda recebe vários contactos de interessados neste programa, que sofreu recentemente uma re-estruturação para o seu melhor funcionamento. Mariana segue, «Temos de avaliar as qualidades de cada um em concreto. Fazemos uma entrevista para saber quais são as expectativas do voluntariado e os candidatos têm de participar de um workshop que os prepara psicologicamente para aquelas tarefas: apoiar a criança quando está triste, tem medos, etc. Explicamos que são casos extremos. Em geral essas crianças vêm de Angola, algumas da fronteira com o Congo, o Zimbabué ou a Namíbia.»

Por fim, apela ainda às« contribuições em espécie, que são sempre bem-vindas, tais como: brinquedos, roupas, livros infantis e didácticos, lápis de cor, cadernos, etc.»

 

 

Adaptado do texto de Cristina Dangerfield para o Portugal Post.

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