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“Shooting Star” portuguesa na Berlinale - Entrevista a Victoria Guerra

Foto © Ralf Uhler-EFP, Berlinale 2017

Victoria Guerra foi a representação portuguesa deste ano nas “Shooting Stars” da Berlinale. Através do ICA - Instituto do Cinema e Audiovisual, Victoria Guerra trouxe de novo o nome de Portugal à ribalta, após mais de 6 anos sem actores portugueses seleccionados.

A iniciativa, que celebrou 20 anos de edição, tem como objectivo encontrar “os jovens actores mais promissores da Europa”, segundo o presidente da EFP - European Film Promotion, Martin Schweiger. “O cinema europeu é maior que a soma das suas partes”, referiu. Relembrou também que algumas das mais famosas estrelas de cinema passaram um dia pelas “Shooting Stars”: Daniel Craig, Rachel Weisz, Alicia Vikander ou Daniel Bühl são apenas alguns exemplos.

 

“A maioria dos actores seleccionados não teria a oportunidade de mostrar o seu trabalho, nem acesso a uma plataforma deste tipo no seu país de origem”, referiu Lucinda Syson, que esteve presente no evento. “A coisa mais importante é o talento”, referiu o jury Xavier Koller, também presente. O jury deste ano contou também com um nome português - Pandora da Cunha Telles juntou-se a Dorka Gryllus (Hungria), Lucinda Syson (Reino Unido), Xaviel Koller (Suiça) e Jan Lumholdt (Suécia) para eleger as 10 “Shooting Stars” a destacar nesta edição da Berlinale. .

 

Victoria Guerra é conhecida do público português pelos seus trabalhos em televisão, nomeadamente “Morangos com Açúcar” ou “Sol de Inverno”, e também pela sua participação no cinema em filmes como “As Linhas de Wellington”, de Valeria Sarmiento, “Cosmos”, de Andrzej Zulawski ou "Amor Impossível", de António-Pedro Vasconcelos (com qual ganhou o Globo de Ouro para melhor actriz de cinema em Maio do ano passado). Gravou “Wilde Wedding”, realizado por Damian Harris, onde contracena com John Malkovich, e mais recentemente "Aparição", de Fernando Vendrell, uma adaptação cinematográfica do Romance homónimo de Virgílio Ferreira.

 

A Berlinda esteve na apresentação das “Shooting Stars” à imprensa e teve a oportunidade de entrevistar a jovem actriz portuguesa numa mesa-redonda juntamente com o C7nema.net. A actriz, que terminou de gravar “Aparição” de Fernando Vendrell em Dezembro do ano passado, falou-nos de forma descontraída e aberta sobre a sua experiência na Berlinale.

 

Como está a ser a experiência “Shooting Stars”?

Está a ser muito divertida! É muito cansativo, temos um horário de doidos, com imensas entrevistas. Há um grande foco em cima destas 10 Shooting Stars, as pessoas querem mesmo conhecer-te. Ontem tivemos uma reunião de 3 horas com dezenas de diretores de casting e agentes do mundo inteiro. Sabiam quem éramos e queriam os nossos contactos. Todas essas coisas são muito boas porque em Portugal não temos acesso a diretores de casting. E são eles que escolhem, e que estão sempre à procura de caras novas para fazer filmes, e às vezes estão mesmo à procura de pessoas estrangeiras, com particularidades diferentes para certos papéis.

 

Podes falar-nos um pouco sobre a forma como escolhes os trabalhos que fazes em televisão e cinema?

Eu procuro trabalhar com pessoas diferentes e aprender cada vez mais. No caso da televisão, que é o que tenho feito mais, procuro fazer personagens muito diferentes. Agora por exemplo estou a fazer uma personagem que é esquizofrénica na novela. É espectacular e foi por isso que aceitei esta novela. No cinema, tem também a ver com as personagens, os realizadores, a história e os actores também. Não muda muito de televisão e cinema.

Qual o realizador com quem mais gostaste de trabalhar até à data?

Andrzej Zulawski (no filme Cosmos), de longe. Porque era um génio, um mestre. Ainda hoje quando me lembro que trabalhei com ele arrepio-me. Foi uma grande experiência porque ele tinha uma forma muito manipuladora de trabalhar com os atores, mas  sem ser mau. Fora o elenco que, para além de serem dos melhores atores franceses, são das melhores pessoas com quem já trabalhei na minha vida. Aprendi muito e conseguiu tirar coisas de mim que eu não tinha noção de que era capaz.

 

Qual achas que é a maior diferença entre cinema e televisão?

O tempo. Em televisão podemos gravar 30 minutos por dia. No cinema filmamos uma cena por dia, o ritmo é mais lento. Há mais tempo, há outra preocupação.

Portugal tem 4 curtas em competição este ano na Berlinale Shorts, sendo a Alemanha o único país com mais entradas nesta secção. Tu começaste nas curtas, podes contar que ensinamentos trouxeste dessas experiências para o cinema?

Nós olhamos para as curtas como uma coisa menor, não é. É uma oportunidade fantástica. O que acontece é basicamente isto: boas personagens, boa história, eu vou querer fazer. O que eu sinto nas curtas é que, como são muitas vezes feitas com pouco dinheiro, as pessoas que estão envolvidas vão dar tudo o que têm, porque querem muito fazer aquilo. E depois é uma aprendizagem, podemos arriscar de outra maneira. Eu acho que as curtas são fantásticas nesse sentido, aliás há muitos realizadores que trabalham em longas e continuam também a fazer curtas.

Os teus planos como actriz passam por continuar a apostar na carreira em Portugal, ou consideras mais interessante ir para fora?

Tudo o que fiz, não precisei de sair de Portugal. Cada vez mais os realizadores vêm filmar em Portugal, por questões de budget, de tempo. Eu quero trabalhar. Faço muitos self-tapes e tenho também um agente nos EUA.

 

Gostarias de deixar algum conselho à nova geração de actores para conseguirem ter sucesso neste meio?

Tenham muita paciência, tentem aprender com tudo - até experiências más servem para aprender. Se gostarem mesmo daquilo que fazem, não desistam.

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