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"Sangue Azul", Lírio Ferreira

Foto: "Sangue Azul", Lírio Ferreira. © Divulgação

A história dos laços de sangue que unem Pedro e Raquel num cenário onde o azul do mar domina.

Imagens a preto e branco de um barco no imenso mar do arquipélago de Fernando de Noronha (Brasil). O movimento e a ondulação são tão vivos que quase nos deixam a sensação de fazermos parte daquele momento. Este é o cenário dos primeiros minutos do filme “Sangue Azul”, realizado por Lírio Ferreira.

Chegados a terra, são subtilmente reveladas as primeiras personagens: um grupo de homens leva a cabo a dura tarefa de montar um circo. E desde logo, a cumplicidade entre todos é evidente. Aos poucos, a personagem principal da história, Pedro (Daniel de Oliveira), vai-se destacando.

A mudança do preto e branco para cores dá-se, quando Pedro, que é apelidado de Zohla no circo, termina de fazer o seu número (Homem Bala) e encara a plateia em geral, focando-se depois na mãe e na irmã que não via há 20 anos. É este o reencontro que desencadeia toda a ação desta história que evolui por capítulos.

Quando Pedro tinha apenas 10 anos, a mãe temia que tivesse uma relação de incesto com a irmã Raquel, decidindo entregar o menino a Kaleb, o ilusionista que trabalhava no circo Netuno. Agora que o circo regressou à terra, tudo volta a estar em jogo. O Pedro cresceu, tem uma nova vida que agora se cruza com o seu passado. São essas questões mal resolvidas que estão em causa e que vão sendo mostradas no decorrer de toda a longa metragem: a eterna paixão pela irmã, a preocupação da mãe, o reencontro com as suas raízes e com a terra que o viu nascer, mas também a relação com os amigos, o circo e… o mar.

Daniel de Oliveira encarna uma personagem boémia e mulherenga mas que, aos poucos, vai revelando o seu lado mais interior e os seus problemas. Uma das cenas mais dramáticas acontece quando Pedro volta à casa da mãe e ao seu quarto, extravasando em lágrimas todo o seu conflito interior. 

Carolina Abras, no papel de irmã de Pedro e comprometida com um amigo de infância, também demonstra que ele não lhe é indiferente, mas evita-o, enquanto consegue.

A proximidade entre os dois irmãos é notável: na fase final do filme, Raquel consegue convencer Pedro a mergulhar (coisa que este sempre evitou por medo). É nesta altura que o écran nos oferece algumas das mais maravilhosas imagens: os dois, em pura sintonia e cumplicidade no cenário único do fundo do mar.

Este é um filme que nos faz refletir sobre o amor, as relações, a família e o passado e faz jus ao nome “Sangue Azul”,  porque retrata todo o enredo que liga estes irmãos de sangue  ao arquipélago de Fernando de Noronha, no meio do imenso mar azul e que faz sonhar com o Brasil… ou pelo menos com o verão.

Já premiado como melhor filme no Festival do Rio 2014, a longa-metragem de Lírio Ferreira abre a secção Panorama, uma das mais importantes do Festival Internacional de Cinema de Berlim – Berlinale 2015.

 


Exibições:

Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015, 21h00 – CinemaxX 7
Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015, 21h15 – CinemaxX 5
Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015, 21h30 – CinemaxX 4
Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015, 22h45 – CineStar 3
Sábado, 7 de fevereiro de 2015, 19h30 – Cubix 7 & 8
Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015, 00h30 – CinemaxX 7


 

  

 
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Fabiana Bravo

Nasceu na ilha Terceira, Açores, em 1987. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Técnica e Mestre em Novos Media e Práticas Web pela Universidade Nova de Lisboa, vive e trabalha em Berlim desde maio de 2014.

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