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Salões Berlinenses e salonnières portuguesas à volta de 1800 - visita guiada por Berlim

11/09/2018

Foto: Helena Araújo

A visita guiada por Berlim feita pela fundadora e anterior directora da Berlinda Inês Thomas de Almeida juntou mais de 20 participantes no passado dia 11 de Agosto. 50% da receita obtida foi doada à associação Berlinda, para apoio do seu trabalho cultural e social.

 

"Quem foi a Berlim e não viu o Gendarmenmarkt nem a Madame Herz, não viu Berlim". Assim se dizia no final do século XVIII a quem quisesse conhecer a capital prussiana e suas obras imponentes feitas a mando de Frederico II na sua ânsia de ficar para a História. Madame Herz, era nada mais nada menos que a famosa salonnière Henriette Herz, que em 1780 funda juntamente com o seu marido Marcus - aluno dileto e grande amigo do filósofo Immanuel Kant - o primeiro salão literário de Berlim, onde se irá juntar a nata da intelectualidade berlinense, como os irmãos Wilhelm e Alexander von Humboldt (respectivamente, o fundador da Universidade de Berlim, e o grande naturalista e pai da Geografia moderna), os irmãos Schlegel , o filósofo Moses Mendelssohn, avô do famoso compositor, e onde se divulga, discute e difunde a obra de Kant e Goethe. A importância destes salões para a cultura alemã e europeia não pode ser mais sublinhada e está documentada na literatura da especialidade. É aqui que se forja a estética do Pré-Romantismo, saída do berço do Iluminismo Alemão, da Haskala judaica e da nova sensibilidade burguesa. Esta mulher fascinante, que privou com filósofos, artistas, príncipes e intelectuais, que foi agraciada com uma pensão vitalícia pelo Rei da Prússia, tinha por nome de solteira Henriette Benveniste de Lemos e começou a sua autobiografia com a frase: "O meu pai era judeu português".

 

Com a premissa de visitar os locais mais emblemáticos deste mundo fervilhante, a visita guiada passou por pontos chave como os salões de Henriette Herz e de Rahel Varnhagem, a casa dos Humboldts - de onde o jovem Wilhelm escrevia juras de amor a Henriette - a família Mendelssohn (o filósofo, o compositor e os muitos banqueiros até aos dias de hoje), a ópera de Berlim e o antigo Teatro Nacional, entre outros. Com excertos de cartas e bilhetes trocados entre os ilustres convivas, e com foco específico nas ligações - directas e indirectas - a Portugal, iremos mergulhar na vida dos salões berlinenses na viragem para oitocentos e sentir o pulsar das histórias pessoais que até nós foram trazidas, dois séculos depois, escondidas no coração de Berlim.

 

No final, a soma monetária que reverteu a favor da Berlinda foi de 120 euros.

 

Agradecemos mais uma vez a todos os participantes e à Inês Thomas Almeida pela iniciativa e excelente visita guiada que nos proporcionou.

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