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Ó Gente da Minha Terra – Lotação esgotada e ovação de pé para Mariza

Foto: © Gonçalo Silva (de cima para baixo: Mariza e Guitarrista Pedro Jóia)

Um concerto da Mariza não é um concerto: é uma terapia, uma bênção, uma lavagem à alma. Que o digam as 1000 pessoas que a aplaudiram de pé na sala apinhada e esgotada da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim. „Foi um prazer e uma honra cantar para vocês“, disse a fadista portuguesa. O prazer foi todo nosso.

Esta já não é a Mariza de há uns anos, aquela cantora que mesmo nos píncaros do sucesso, dizia com humildade que ainda tinha muito que aprender. A Mariza de agora cresceu, tem doze anos de experiência acumulada nas melhores salas do mundo inteiro. É um animal de palco, conhece-lhe os trejeitos e as nuances, enfim, é uma verdadeira diva – mas uma diva simpática a quem apetece convidar para um café.

Alternando as canções com conversas com o público, cativou toda a gente ao fim de cinco minutos. Falou das raízes africanas, da taberna dos pais, da infância passada a ouvir fado, do filho que deixou em Lisboa e das muitas saudades que dele tem… Com visível prazer, mostrou ao público alemão que o fado pode ser alegre, castiço. E – pasme-se – conseguiu pôr a sala inteira a cantar afinado um trecho nada menos complicado de pronunciar do que “colha a rosa branca e ponha a rosa ao peito”. Isto na Alemanha. E… funcionou!

Mariza veio acompanhada de músicos de primeiríssima água: o virtuoso Pedro Jóia na guitarra clássica (exímio guitarrista de flamenco, um mestre bem conhecido no meio dos guitarristas portugueses), José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Vicky Marques na bateria e percussão, e o angolano Yami no baixo. Todos artistas do seu instrumento, que dão à cantora o manto necessário para deitar nele com confiança a sua voz.

O mais impressionante deste concerto foi talvez a maneira como Mariza conseguiu chegar a toda a gente, como se de um encontro entre amigos na sala de estar se tratasse. Chegou mesmo a silenciar o microfone, para que a voz chegasse direta ao coração de cada um, sem filtros. Só que esta sala de estar é nada mais nada menos que um dos palcos mais prestigiados de Berlim, por onde passam todos os nomes maiores das músicas do mundo.

O programa constou de uma mistura entre fados tradicionais e outros êxitos consagrados da sua carreira. Não faltaram marcos como “Barco Negro”, “Primavera”, “Feira de Castro” ou “Ó gente da minha terra” (cantado num dos muitos encores perante uma plateia de pé). Mas também se ouviram temas de outros cantores, em jeito de homenagem, como o belíssimo “Beijo de Saudade” de Tito Paris, cantado em crioulo de Cabo Verde, ou um arrepiante “Canto de Ossanha”, imortalizado por Elis Regina e Tom Jobim, também tocado em encore.

Em resumo: deu gosto partilhar a sala com esta Artista que fez cada português encher-se de orgulho e sentir-se inexplicavelmente especial. Se para o público em geral terá sido sem dúvida uma experiência memorável, para os portugueses emigrantes, foi porventura uma espécie de terapia.

Quem não pôde assistir, tem ainda uma última oportunidade: ainda há bilhetes para o concerto de domingo, dia 13 de outubro. Quem não for, perde!

Apresentado por Prime Tours & Promotion em colaboração com Deutschlandradio Kultur e Berlinda.org

 

  

 
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Ines Thomas Almeida

Inês Thomas Almeida nasceu na República Dominicana e cresceu em Portugal como bilingue e com dupla nacionalidade. Mudou-se para a Alemanha para estudar Canto na Escola Superior de Música e de Teatro de Rostock. Alguns anos depois de se instalar em Berlim, criou o magazine online Berlinda, e, mais tarde, o Festival Berlinda.

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