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Luiza Meiodavila, a cantora brasileira que veio estudar música para Berlim

Foto © Marcos Feittosa

Luiza Meiodavila nasceu em São Paulo, Brasil, e iniciou o seu percurso musical aos 4 anos, quando começou a tocar flauta doce na escola. Mais tarde, aos 10 anos, iniciou aulas de canto com o tenor Etor Rivero. Mais tarde, já na faculdade,mais concretamente durante o curso de bacharelado em performance da Faculdade Souza Lima & Berklee, Luiza Meiodavila apaixonou-se pelo jazz e MPB - Música Popular Brasileira. Identificou-se também a sonoridade do compositor, cantor e multi-instrumentista Lipe Torre, ao qual se uniu juntamente com o seu namorado Zé Victor Torelli, guitarrista e engenheiro de som, para fazer música.

Luiza Meiodavila está em tour pela Europa, tendo passado já por países comoHolanda, Reino Unido, França, Alemanha ou República Checa.

A propósito do seu concerto em Berlim no passado dia 5 de Agosto, a Berlinda teve a oportunidade de entrevistar a cantora brasileira e descobrir um pouco mais sobre a sua personalidade, o seu trabalho eo porquê de vir morar e estudar música em Berlim.

Desde criança que estás ligada à música. Podes contar-nos em qual momento a tua carreira musical se profissionalizou?

Tive dois marcos na minha vida que foram muito importantes para minha carreira. O primeiro foi o momento em que decidi entrar na faculdade de música, decisão que precisou de muita certeza para assumir que queria que a música estivesse presente a esse nível no meu dia a dia. O segundo foi quando decidi gravar meu primeiro disco, oFlorescer. Na época sabia que não tinha muita maturidade musical, mas encarei o disco como a concretização dessa decisão, e de fato foi.

 

Continuando a recuar um pouco no tempo, como surgiu a ideia de adotar um nome artístico (Luiza Meiodavila em vez de Luiza Mitteldorf) e porque decidiste fazê-lo?

O palco sempre foi uma terapia para mim, e não só como um espaço onde consigo ser livre. Subir ao palco é também encarar medos e expor verdades, e principalmente no começo tinha vergonha dessa exposição. Ao criar um alter-ego foi como se eu tivesse deixado todas as minhas inseguranças e apego a sentimentos muito pessoais para meu eu não-artista. Já o Meiodavila é uma brincadeira com meu sobrenome. Mitteldorf traduzido livremente para o português seria vila do meio, mas fui pela sonoridade!

 

Por falar de nomes, o teu apelido tem raízes alemãs… falas alemão? Conheces um pouco da Alemanha?

Falo alemão sim! O suficiente para me virar pela Alemanha, mas precisa melhorar muito ainda. Conheço Munique e Berlim bem, e um pouquinho de algumas outras cidades, mas quero muito aproveitar meu tempo aqui para conhecer bem.

 

Vieste para Berlim este mês, Setembro, começar um curso de Bacharelado em Music Business. Podes revelar um pouco mais sobre esta escolha? Porquê este curso e porquê vir estudar música aqui em Berlim?

Tenho administrado minha carreira nos últimos 5 anos, e aos poucos fui percebendo como grande parte do meu tempo acaba sendo dedicado à gestão. Como a maioria dos artistas, sem muito conhecimento específico em cada área, acredito que demoro muito mais (além de dedicar muito mais energia) para revisar um contrato, fechar um show, criar uma estratégia de divulgação ou até produzir um show/material novo. No Brasil infelizmente não temos nenhum curso específico para o mercado musical, apenas poucos cursos genéricos de produção cultural (que são muito voltados para a criação de projetos e o âmbito mais sociológico da movimentação cultural). Na hora que fiquei sabendo do curso me interessei muito, e Berlim tem muito a ver comigo, minha maneira de pensar e me expressar. Acredito que esse estudo vai aprimorar minha gestão, me capacitar a dialogar com profissionais que possa vir a contratar e também me introduzirá a um network da área aqui em Berlim, essencial para trabalhar o mercado.

 

Quais são as tuas expectativas em vir morar para Berlim?

Morar fora é por si só uma experiência muito enriquecedora. Conhecer novas pessoas, uma nova cultura e, acima de tudo, sair da sua zona de conforto, para mim, são oportunidades enormes de crescimento. Acredito que isso faça muito bem para a arte também, e meu maior objetivo é produzir o próximo disco por aqui. Os alemães tem uma relação com a música que, na minha opinião, tem muito a ensinar para a América. Respeito, atenção e valorização da música e dos músicos fazem parte da cultura, e quero absorver ao máximo o que puder para evoluir enquanto artista, gestora e fã, e dividir um pouco dessa experiência com meus amigos e colegas de profissão no Brasil.

 

Estás em Tour pela Europa com o disco “Florescer”. Podes contar-nos um pouco mais sobre esse que é o teu primeiro álbum de originais?

O “Florescer” é, para mim, a concretização da minha escolha de comprometimento com a música. É uma fotografia da Luiza que descobriu a melodia livre e harmonias que falam com a minha alma do jazz. É o corpo da Luiza que não conseguiu parar quieto ao ouvir ritmos brasileiros. É a voz da Luiza que não sabe bem como ser artista, mas pela primeira vez se abre e diz "esta sou eu". A produção do disco foi feita em parceria com Lipe Torre e Zé Victor Torelli, e tem canções do Lipe e parceiros, do Jacob do Bandolim e minha e do Zé.

 

De que tipo de música gostas? E que cantores costumas ouvir?

Sou bastante eclética no que ouço, mas tudo tem seu momento. Como minha criação está ligada a minhas influências, tenho ouvido muito jazz e MPB, e ultimamente bastante Neo Soul também. Sou muito fã da Esperanza Spalding, Lianne La Havas e da Lívia Nestrovski.

 

Quais são os projetos futuros? Vens para Berlim apenas para estudar ou pensas trabalhar em algo novo também?

O primeiro e mais importante será o próximo disco. Já temos uma banda aqui, e no começo de setembro começaremos a aperfeiçoar o repertório do show, arranjar músicas novas, e começar a pensar na produção.  Um projeto que vamos desenvolver em paralelo ao autoral é de música brasileira, com repertório focado no samba estilo anos 70, muito reconhecidos na voz de Elis Regina. A ideia vem dessa pesquisa e estudo que estamos fazendo com a música brasileira e quais características queremos manter no próximo disco.  Fora isso, minha cabeça sempre está com o radar ligado para novas parcerias, projetos e loucuras que tenham a ver comigo… Com certeza, mais do que nunca, serão dois anos de muitas novidades!

 

  

 
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Rita Guerreiro

Licenciada em Audiovisual e Multimedia pela ESCS – Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), chegou a Berlim em 2010. Depois de ter participado em vários projectos de voluntariado e iniciado o Shortcutz Berlim, juntou-se à nova equipa Berlinda em 2016 e desde então contribui com vários artigos e entrevistas para o magazine. 

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