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O fado que aquece o coração

Foto: Telmo Pires. © Ismael Prata

Uma vez que nasci nos anos 80, na hora de escolher a música, quem tinha a última palavra eram os meus pais. Não havia cá música para a menina, nem bichos a cantarolar e de nada me valia dizer que estava fartinha da Amália, que já não podia com o Carlos do Carmo e que os fadinhos de Coimbra soavam todos ao mesmo!

Os meus pais queriam lá saber.
Os meus pais gostavam.
Eu ouvia e calava.

Levei com muito fado em casa, posso dizer!
Ainda o fado não era fixe ou cool, nem se sonhava que seria Património da Unesco ou que a Ana Moura iria cantar com o Prince - Madonna, amiga, por que esperas?

Quando fui estudar fora, foi quando dei por mim, pela primeira vez, a cantarolar faduxos! Foi quando percebi que gostava daquilo e comecei, por fim, a entender e a deixar-me tocar pelas letras, dando-lhes a atenção que merecem! Ainda hoje há músicas que do nada me comovem, sobretudo quando escuto os acordes da guitarra portuguesa!

Quando vivemos num país que não é o nosso, virarmos representantes do nosso, uma espécie de embaixadores - sinceramente, não por que esperam os presidentes de Portugal para me condecorarem com uma Ordem D. Henrique ou coisa que o valha! Nesta vida de embaixatriz, dei por mim, muitas vezes, a falar e a explicar o fado. A falar do destino, dos amores perdidos, dos poetas portugueses e dos longos vestidos pretos de diva da Amália, essa linda!

Sempre tentei combater a ideia de que o fado é triste e de que (nós) os portugueses somos gente tristonha!
A tristeza é mais universal do que alegria, aumentando, assim, as probabilidades das músicas chegarem a mais gente. De tocarem mais gente. Não por entenderem a letra, mas porque o fado é um sentimento! E isso é bonito. Isso, aquece o coração.

Pus-me a pensar nisto, porque nos últimos dias, ando cheia de sentimento!
Quando vou de bicicleta, dou por mim a cantar sozinha, quando passo pelos cartazes que anunciam o concerto de Telmo Pires em Berlim - o fadista vai actuar no dia 11 de novembro na Apostel-Paulus-Kirche (metro Eisenacher Str) pelas 20h.

Agora silêncio que se vai cantar o fado!

Mais informações sobre o evento aqui.

 

  

 
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Maria vai com todos

Conimbricense (nunca, jamais, Coimbrinha!) e cheia de bichos carpinteiros, com aparente vocação para opinar sobre tudo e sobre nada! Viveu alguns anos em Madrid e está agora Berlim. Tem um blogue onde escreve sobre vários temas: Estórias. Histórias. Pessoas. Sítios. Viagens.

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