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Encontros Português-Alemão: um grupo de amigos em torno da língua portuguesa

Foto: Pedro Monterroso conversa com uma das participantes do encontro Português-Alemão © Fernando Weiblen

Em Berlim, todas as sextas-feiras um grupo de amigos encontra-se para uma espécie de convívio, para trocar ideias, culturas e praticar línguas: o português e o alemão. Tudo começou em Maio de 2012 quando Pedro Monterroso chegou a Berlim. “O propósito inicial foi egoísta”, diz, pois resumia-se à sua vontade de “praticar alemão e começar a encontrar gente”. Mas as razões são simples. Pedro é educador de infância na Escola Europeia (Europa-Schule) Berlin Neues Tor e como explica: “As crianças têm que aprender português comigo, e eu não tinha outra forma de aprender alemão sem ser com elas, então resolvi organizar estes encontros para eu poder também praticar o alemão.”

Para tal, decidiu fazer uma publicação no Couchsurfing (uma plataforma online com mais de 7 milhões de utilizadores, que basicamente “oferece um sofá” a viajantes) “porque é uma plataforma social que atrai gente interessante, pessoal mais jovem e com interesse em aprender coisas e partilhar ideias”, explica Pedro.

E, de facto, Pedro conseguiu reunir essa “gente interessante”, e a moda dos encontros de sexta à noite pegou. Todas as semanas novas caras aparecem, por curiosidade ou por mero acaso. Pode haver uma “uma noite de poesia, ou de música afro-brasileira”, mas a maior parte dos encontros não tem nenhum tema específico, os interessados vão chegando, juntam-se e começam a falar, explica. Todas as semanas é feita uma actualização na página deste grupo no facebook, com toda a informação necessária para o encontro seguinte.

“É sempre giro, todos os encontros são diferentes porque vem sempre gente nova, gente com quem acabamos por criar uma amizade”. Mas não são só os nascidos nos países de língua oficial portuguesa que procuram estes encontros. Há também muitos alemães: “Essencialmente pessoas que já viveram em Portugal, pessoas que já visitaram ou viveram no Brasil, pessoas que têm uma paixão qualquer por algo”.

E foi mesmo uma paixão, e o “amor por Portugal”, que trouxeram Anne Schippling a estes encontros. Estudante da Universidade de Coimbra (UC) de 2001 a 2006, Anne confessou à Berlinda que “se durante uma semana não falar português, começo a sentir falta de algo importante.” Hoje em dia, juntamente com Pedro, organiza muitos destes encontros, que define como uma “interculturalidade vivida, uma verdadeira troca entre as culturas”. Mas a ligação de Anne a Portugal vai além da sua experiência universitária em Coimbra. Foi na cidade universitária que teve “o primeiro contacto com a guitarra portuguesa”, instrumento pelo qual se apaixonou. Hoje em dia, afirma que a sua “grande paixão é tocar esta guitarra (na vertente de Coimbra). Toco peças sobretudo de Carlos Paredes e as minhas composições“.

 

Anne Schippling com a sua paixão: a guitarra portuguesa © Frank Liedtke

Pedro e Anne podem ser o rosto e os mentores destes encontro, mas o objectivo é, como explica Pedro, “que a coisa vá num sentido autónomo e anarco. Nós somos os “mentores” mas qualquer um pode organizar e dizer ‘hoje vou passar som não sei onde, juntem-se lá’. Quem tiver ideias é só dizer. Já tivemos noites de forró porque alguém se lembrou de fazer uma noite de forró, já tivemos uma noite de “Volksküche”, a cozinha do povo, onde alguém está a cozinhar para o pessoal”. Isto acontece porque, como já foi referido, apesar de todas as sextas haver novas caras, existe já um grupo coeso e habitual destes encontros, um grupo de amigos que “acaba por ser um filtro. As pessoas chegam e veem um grupo já com um certo à vontade e sentem-se inibidas”, mas muitas acabam por encontrar ali uma ligação a casa e retornam às reuniões.

Ao fim de quase dois anos de vida, Pedro faz um balanço positivos destes encontros. Ao fim e ao cabo, conseguiu aquilo que ambicionava desde início: conhecer novos sítios e novas pessoas. Os encontros, geralmente realizados no Meta Mate ou no Café Maputo, são locais que para este grupo de amigos, “já são como casa”.

Pedro Monterroso  – É natural de Amarante, perto da cidade do Porto. Estudou sociologia na Covilhã, na Universidade da Beira Interior, onde depois também fez Mestrado em Sociologia e Empreendedorismo Social. Está em Berlim há quase dois anos (Maio 2012). É educador de Infância na Escola Europeia, bilingue português – alemã.

Anne Schippling – É natural de Halle. Professora Assistente na área das Ciências da Educação, vive em Berlim. Começou a aprender português ainda na escola. Durante anos o interesse pela língua e a cultura portuguesas foi intensificado, e de 2001 a 2006 foi bolseira da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) em Coimbra. Desde 2009 toca e compõe em guitarra Portuguesa, na vertente de Coimbra.

 

 

  

 
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