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Cinebrasil arranca com determinação no Kino Babylon apesar de “corte de verbas”

25/01/2020

Foto: © Promo

O Cinebrasil - 15ª Mostra de Cinema Brasileiro, arrancou de sala cheia na Quinta-feira 23 de Janeiro, com o filme “Tungstênio” (2019), realizado por Heitor Dahlia. 

 

Apesar do “corte de verbas”, como evidenciou o diretor do festival, Sidney Martins, na noite da abertura, bem como atitudes insolentes da atual administração governativa em relação à Sétima Arte, este ano apresenta-se um vasto leque de filmes dos géneros ficcional e documental, com dez novas produções e, em retrospetiva, treze filmes entre os mais aclamados pelo público e pelos críticos ao longo dos 14 anos do festival. 

 

Os filmes, com exibições partilhadas entre as três salas do Babylon Kino, sempre acompanhados com legendas em inglês ou em alemão, pretendem despertar o público para tópicos sócio-políticos emergentes na sociedade brasileira, mas que acabam também por ser pertinentes em qualquer ponto do globo terrestre. 

 

A noite de abertura, na qual a Berlinda esteve presente, teve honras de comparecimento de Marcello Quintanilha, autor da obra homónima de 2014, que deu origem ao filme. “Tungstênio”, que cruza a vida de quatro personagens numa praia da Bahia, as quais são carregadas de emoções “à flor da pele”, numa situação de tensão, não tem como desiludir o público aficionado à novela gráfica, que é como sublinhou a moderadora do evento, o que mais tende a desiludir-se com as adaptações cinematográficas. Segundo Quintanilha, estamos perante “um resultado extremamente fiel ao livro”, ao qual “as pessoas empenhadas no projeto tentaram traduzir a quase totalidade do livro em linguagem cinematográfica”, como explicou o realizador. Os que que leram a obra, terão de concordar.

 

O diretor do festival, Sydney Martins, nascido no Rio de Janeiro em 1967 e a viver em Berlim desde 1998, aproveitou ainda a abertura do festival para galardoar Marcello Quintanilha com uma escultura do “Cinema Negro”, nome da produtora do fundador do festival, por este fazer parte de um “filme que que teve a coragem de colocar na tela excelentes atores que de outra forma não têm trabalho”, evidenciando assim o lado ativista que está no DNA do CineBrasil.

 

Até ao dia 28 do presente mês, é garantido ao espetador um amplo panorama do cinema brasileiro, com mais de vinte títulos e várias sessões diárias que poderão descobrir. Ou redescobrir.


 

 

Por Pedro Monterroso

Edição: Rita Guerreiro

Pedro Monterroso, nascido em 1984 e natural de Amarante, uma pequena cidade no norte de Portugal. Vive em Berlim, é educador e trabalha numa escola do ensino básico bilíngue. É formado em Sociologia e esta ciência é um dos seus maiores fascínios, mas tem muitos outros. O seu maior sonho é poder voar como o Peter Pan.

Pedro Monterroso

Licenciada em Audiovisual e Multimedia pela ESCS – Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), chegou a Berlim em 2010. Depois de ter participado em vários projectos de voluntariado e iniciado o Shortcutz Berlim, juntou-se à nova equipa Berlinda em 2016 e é desde então editora do magazine, para o qual contribui com vários artigos e entrevistas. 

Rita Guerreiro

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