Uma cidade pequena de Portugal e o brega do Brasil nas Berlinale Shorts

A Berlinda conseguiu ver duas curtas durante a Berlinale, por entre filas de dois andares para as salas e um permanente vai e vem de pessoas. Estivemos presentes durante as sessões de perguntas e respostas e trouxemos algumas impressões de uma curta portuguesa e uma brasileira.

 

“Cidade Pequena”, de Diogo Costa Amarante 
“O filme foi feito em Oliveira de Azeméis, onde passei a minha infância”, Diogo Costa Amarante
Filme “sobre sentimentos e memórias”, como referiu o realizador, passa-se em Oliveira de Azeméis e é fruto de uma ideia que Diogo Amarante teve no seio da sua própria família. “Cidade Pequena” retrata a história de Frederico (sobrinho do realizador), uma criança que vai à escola e aprende o que é o corpo humano e não consegue dormir nessa mesma noite porque sente dores no peito. Diogo Amarante contou na sessão de perguntas e respostas que se seguiu à projecção da curta que a ideia de “Cidade Pequena” lhe surgiu depois de falar com a irmã sobre este comportamento do filho, “é uma história real, é a minha própria família. Achei que era uma história interessante. Mas a ideia para o filme apenas surgiu com a imagem do sofá e das flores”, esclareceu – a imagem que abre a curta.
O realizador referiu que quis passar ainda a ideia de que “as pessoas que vivem em cidades pequenas muitas vezes sentem-se presas numa rotina”. Falou de uma cena em concreto onde incorporou um GIF para ilustrar essa sua ideia, após ter sido questionado por uma pessoa do público que achou esta ideia curiosa e fora do comum num filme.

 

  • “Cidade Pequena”, Diogo Costa Amarante. Copyright ® Diogo Costa Amarante
  • Da esquerda para a direita: , Benjamin de Burca e Barbara Wagner de “Estás vendo coisas” com a moderadora Maike Mia Höhne. Copyright ® Berlinda.org
  • “Estás vendo coisas”, Barbara Wagner e Benjamin de Burca. Copyright ® Barbara Wagner e Benjamin de Burca

 

“Estás vendo coisas”, de Barbara Wagner Benjamin de Burca
“Estavamos interessados no brega. Queriamos falar sobre o que está por trás do espectáculo”, explicou a realizadora Barbara Wagner
A curta estreou em Recife, e esteve na 37ª Bienal de São Paulo.  O tema é o Brega,  termo usado para definir um estilo de música popular de massa produzida no Brasil que origina nos anos 70. É fortemente associadas a uma noção de mau-gosto ou, como referiu a realizadora, é”como o oposto da bossa nova”.  A moderadora da sessão foi a própria curadora da Berlinale Shorts, Maike Honke, que perguntou sobre a experiência de trabalhar com os vários personagens do filme. “Trabalhámos com o desejo deles de colaborar connosco também, eles estavam super curiosos sobre cinema e como seria trabalhar em cinema”.
Benjamin de Burca acrescentou que a curta “reflecte uma incerteza política e económica que está a acontecer no Brasil neste momento. Houve um momento em que tudo parecia fluir e que depois parou, e isto foi algo que quisemos trazer para  o filme”.

 

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