Gisela João, ou a cantora que é também uma pessoa comum – entrevista

Imagem ©Copyright: Estelle Valente

 

“Todos os concertos são muito importantes para mim.” Gisela João

 

Natural de Barcelos, Gisela João viveu seis anos no Porto e encontra-se desde 2010 em Lisboa, onde lançou definitivamente a sua carreira. No Porto, fez parte do grupo de música Atlanthida, onde foi vocalista e com o qual chegou a editar um disco. Em Lisboa, conheceu vários nomes importantes do fado, como Helder Moutinho (o seu actual manager), ou Maria da Fé, que a levaram a cantar na casa de fado “Sr. Vinho” e a fazer contactos importantes que impulsionaram decisivamente a sua carreira.
Gisela lançou o seu primeiro disco, com título homónimo, em 2013. Em Novembro de 2016, lançou o seu segundo álbum “Nua”, que vem agora apresentar em Berlim no dia 25 de Abril de 2017.  Para além da Alemanha, esta tour passará por países como Suiça, França ou Macedónia.
Apesar da curta carreira, Gisela tem sido muito bem recebida em Portugal e no estrangeiro. Já pisou variados palcos internacionais em cidades como Copenhaga, Madrid, Nova Iorque, Paris, Rio de Janeiro ou Londres. No Verão de 2014, o seu vídeo no Youtube a cantar ao lado de Joss Stone inundou as redes sociais. Recebeu já vários prémios, como Prémio Revelação na VIII Gala dos Prémios Amália, o Prémio de Mulher do Ano 2015 na Gala GQ Men Of The Year Awards 2015 ou o Globo de Ouro para Melhor Intérprete Individual. Este ano, esgotou os Coliseus do Porto e Lisboa no arranque da tour de apresentação do seu novo trabalho. A propósito do concerto em Berlim, a Berlinda teve a oportunidade de falar com Gisela João, que confessou “Não conheço nada de Berlim, estou ansiosa por conhecer”. Cantora, fadista, Gisela João demonstrou ser acima de tudo uma pessoa terra-a-terra, espontânea e acessível.

 

Foi através do fado de Amália “Que Deus me perdoe” que despertaste para este modo de cantar. Alguns anos passaram e a tua carreira cresce a olhos vistos, como se a música se adaptasse ao teu percurso. Porquê o fado? Fugindo ao fado, estarias, como diz a letra, a fugir de ti própria?
Definitivamente estaria a fugir de mim se não cantasse. Não sei bem porquê, ninguém sabe o porquê das coisas mas, penso que foi pela palavra, pela poesia, pelo poder da história.

 

Quando é que o fado, que começou por ser apenas um hobby, passou a ser a tua profissão?
Foi sem querer, foi acontecendo sem esperar. Quando vim para Lisboa passei a viver só da música, confesso que nos primeiros tempos pensava que ia embora para o Norte de novo e ía fazer o curso de design de moda.

 

Dois discos editados, concertos esgotados nos coliseus em Lisboa e Porto, digressão na Alemanha, Suíça, França e agora um programa de televisão, o “Just Duet”. Que balanço fazes da tua carreira até à data?
Estou super feliz! Acho que devemos ser muito gratos e felizes pelas coisas boas que nos acontecem e seria de uma hipocrisia tremenda dizer que não fico feliz com os meus sucessos, toda a gente gosta de ver reconhecido o seu trabalho: até o senhor do talho !!

 

O novo álbum tem o título “Nua”, podes contar um pouco mais sobre ele e sobre a escolha deste nome?
“Nua” pela nudez da alma. A música dá força à palavra… estou nua pela forma como canto as letras.

 

Tens outros interesses para além da música, como a poesia, a moda, a psicologia ou a cozinha. Nem muitos sabem que a Gisela João também faz compotas, biscoitos, pão de ló… Se não fosses cantora, imaginas-te numa destas profissões?
Siiiim! A fazer roupas, a bordar, ou a cozinhar. Ou então a trabalhar com crianças.

 

Disseste em várias situações que achas muito importante que as coisas sejam feitas com brio, que as pessoas devem fazer as coisas por gosto e se sentir-se bem consigo próprias, pois isso reflecte-se no resultado final daquilo que estão a fazer. Achas que os portugueses são um povo com brio?
Acho que os portugueses sempre foram um povo com brio… pelo menos os que conheço…

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