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      <title>5 x Pacificação ?</title>
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      <pubDate>Thu, 7 Feb 2013 10:59:52 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2013/2/7_5_x_Pacificacao_-_5_x_Befriedung_files/5xpacificacao_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object995_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:136px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;90 Minutos de filme&lt;br/&gt;5 Episódios: Morro, Polícia, Bandidos, Asfalto, Complexo.&lt;br/&gt;1 Documentário?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estes são os factos objetivos do filme „5 X Pacificação“. Contudo, quem assistiu ao visionamento em Berlim e à discussão que se seguiu, no final ficou com mais perguntas do que respostas. O documentário apela à discussão, provoca, e toca as emoções do espetador, independentemente de ele estar familiarizado de forma mais ou menos intensiva com a temática da favela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;8o espetadores tiveram a oportunidade de ver este documentário no Cinema Babylon em Berlim. Espera-se de um documentário que reflita uma imagem autêntica da realidade, e é isso que o separa das produções hollywoodescas ou de filmes de ficção. Neste caso, os realizadores vêm eles mesmos das favelas, e por isso o espetador tem a sensação de estar a participar dos relatos em primeira mão, de ver as favelas e a instalação das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadoras – através dos olhos dos seus habitantes. E no entanto, que porção de tudo isto corresponde de facto à realidade?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De uma forma geral é sempre de saudar uma iniciativa que permita criar em Berlim um debate sobre esta temática. Mas o mais importante neste encontro foi mesmo a discussão que se seguiu. O público era maioritariamente alemão e brasileiro, e foram afloradas, mesmo que de forma breve, várias críticas e pontos de vista bem diferentes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Repetimos, um documentário quer-se e deve ser autêntico. Mas depois de ver „5 x Pacificação“, muitas dúvidas surgem dentro do público. Um alemão pede a palavra e queixa-se de que projetos sustentáveis, como a ajuda ao desenvolvimento ou medidas para combater o desemprego dos habitantes, não são mencionados no filme, embora existam há já muito tempo. Também há muitos aspetos que não são novidade nenhuma – porquê então este filme? O que há de documentário neste filme, o que há de verdadeiramente autêntico?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um ponto recorrente na discussão: o filme deixa de lado o facto de eventos do futuro próximo, como o Mundial de Futebol de 2014 ou os Jogos Olímpicos  de 2016, terem um papel muito importante na questão das UPPs, na maneira como a política interna das favelas é tratada no Rio de Janeiro, e quais as consequências externas dessa política.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Espetadores brasileiros mostram-se indignados, tecem duras críticas: „Estou bastante incomodada com esse filme. Para mim isso é uma propaganda facista e racista da ocupação do estado brasileiro em relação as comunidades e as pessoas pretas e pobres daquele país“, diz Sandra Bello, e denuncia a estereotipação dos moradores das favelas e os preconceitos pré-formados patentes neste filme. O fotojornalista Robson Ramos filmou a discussão, que pode ser vista neste vídeo:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Discussão acesa após o visionamento do filme. Vídeo: Robson Ramos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O ambiente da discussão é tenso e termina de forma abrupta depois da intervenção de Sandra Bello. &lt;br/&gt;Quem quiser aprofundar este tema, deve sem dúvida ver este filme, mas também questioná-lo de forma bastante crítica. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Daniela Franzisi&lt;br/&gt;Tradução: Inês Thomas Almeida&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;7.2.2013</description>
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      <title>O papel da cultura na formação da identidade brasileira</title>
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      <pubDate>Mon, 19 Nov 2012 21:00:16 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/11/19_O_papel_da_cultura_na_formacao_da_identidade_brasileira_files/1_Layra-Pires-de-Brito_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object217_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:150px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Serie BRASILEIRINHOS NO MUNDO - textos sobre identidade brasileira, do livro homónimo publicado pelo Itamaraty.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nas últimas duas décadas, observou-se o nítido crescimento do processo de emigração brasileira. A situação socioeconômica do país e a percepção de melhores oportunidades lá fora passaram a gerar crescente fluxo de brasileiros para o exterior.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Muitos países atraem os brasileiros. No entanto, a emigração concentra-se nos EUA, Japão e Europa. No total, três milhões de brasileiros vivem no exterior. Desses, 810 mil estão na Europa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A crise mundial que vem afetando os países da União Europeia desde 2008 tem levado milhares de brasileiros que viviam na Europa e no Japão a tomarem o caminho de volta para casa, em busca de melhor situação em sua terra natal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A instabilidade econômica da atual sociedade globalizada repercute de forma significativa sobre as perspectivas de mobilidade social e tendências migratórias. A mobilidade social e espacial são traços marcantes na constituição da sociedade globalizada do século XXI. Contudo, é necessário notar que o processo de emigração/imigração é mais dinâmico e rotativo que no último século. A globalização e a crescente mobilidade vão além das questões econômicas, sendo responsáveis por enfraquecer o vínculo do cidadão com o Estado Nação, contribuindo para  a perda da própria identidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O problema a enfrentar está em manter uma identidade “brasileira” no âmbito das comunidades brasileiras no exterior. Se a identidade é constituída por um sistema de crenças, atitudes e comportamentos adotados pelos indivíduos dentro de uma comunidade (REIS e MÜLLER, 2005), a principal preocupação está relacionada ao processo de formação da nacionalidade/identidade de emigrantes brasileiros. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desenho de Layra Pires de Brito, premiada do 1º concurso „Brasileirinhos no Mundo“.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A nacionalidade brasileira já foi assegurada à segunda geração de emigrantes, através da Emenda Constitucional 54/07, decorrente da PEC 272.00, que restitui o status de brasileiro nato aos filhos de brasileiros nascidos no exterior. Nos resta, assim, a difícil tarefa de assegurar o processo de formação da identidade brasileira à segunda geração de emigrantes. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste processo, é importante realçar o papel da cultura na formação da identidade, destacando dois elementos fundamentais no conceito de cultura: as realizações  e a transmissão. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Como  realizações definimos tudo o que se refere ao meio ambiente e à sociedade – ou seja, a organização social, econômica e política, assim como as produções e manifestações culturais. Essas realizações não existiriam sem o processo de transmissão da língua, história e educação, a língua tida como faculdade de expressão, a história como memória coletiva e a educação como instituição (escola/família). &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A necessidade de promover produções e manifestações culturais brasileiras no ambiente escolar europeu surgiu com a experiência que venho adquirindo ao longo dos últimos anos no exercício do magistério de um ensino público e bilíngue na cidade de Berlim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Além dos desafios que esta tarefa acarreta, surge a questão da importância de uma identidade cultural para o sucesso escolar num contexto sociopolítico globalizado. Através da experiência acumulada durante estes anos em que lecionei, pude perceber que o sucesso da aprendizagem de uma língua, não apenas uma segunda língua, mas da língua materna, dependia muito do background cultural do aluno. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Muitos emigrantes procuram fugir das discriminações sociais de raça/etnia e gênero, esquecendo-se de suas raízes e desterritorializando o espaço de culturas e de saberes populares. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para incentivar o fortalecimento de uma identidade cultural, já esquecida e muitas vezes mal representada no âmbito familiar e também no âmbito escolar, na qual o português europeu é a língua-padrão, foram desenvolvidos e coordenados pro mim, ao longo destes sete anos, projetos interdisciplinares que proporcionassem reflexões sobre a cultura destes emigrantes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Alguns dos projetos envolveram toda a comunidade escolar e passaram a fazer parte do cotidiano curricular. Muitos professores de língua portuguesa se envolveram direta ou indiretamente nos projetos. Uma das etapas de um dos projetos culminou em um desfile de Carnaval – o Carnaval das Culturas -, muito conhecido e apreciado em toda a Alemanha. Alunos e professores representaram durante o desfile a diversidade cultural de nossa escola e expressaram o multiculturalismo pelas ruas de Berlim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Algumas festas folclóricas foram integradas na planilha anual de eventos escolares. A Festa Junina passou a ser tema central de algumas das Festas de Verão. A temática possibilitou o resgate de muitas expressões culturais, como o modo de vestir, brincadeiras, jogos, danças e influenciou até a culinária da típica Festa de Verão Alemã.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O evento se estendeu para fora do ambiente escolar. Há mais de três anos a Festa Junina é realizada na Embaixada do Brasil em Berlim com o apoio do Conselho de Cidadãos desta cidade. Nesta oportunidade, os alunos apresentam quadrilhas e pequenos números musicais. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste contexto, o Concurso Brasileirinhos no Mundo veio fortalecer as produções e manifestações culturais de muitos filhos de emigrantes brasileiros, e consequentemente ajudou a fomentar a atividade intercultural da escola, visto que seus alunos são oriundos de diferentes nacionalidades: alemã, brasileira, portuguesa, moçambicana, angolana e de demais países falantes da língua portuguesa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estas comunidades apresentam traços mistos de cultura e educação de origem. São comunidades caracterizadas pelas diferenças étnicas, raciais, regionais, religiosas, etárias, sexuais, de gênero e de classe social. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Assim todos os alunos tiveram a oportunidade de participar pelo segundo ano consecutivo do concurso de desenho infantil, que culminou numa exposição dos desenhos de todas as crianças, de diversas nacionalidades, na Embaixada do Brasil em Berlim. O Concurso Brasileirinhos no Mundo veio fortalecer a função que desempenha a história no processo de formação da identidade. Através de contos folclóricos, da literatura infantil de Monteiro Lobato e das revistas em quadrinho de Maurício de Sousa, podem-se transmitir os fatos do passado e presente da sociedade brasileira, bem como seus valores, tradições, representações simbólicas e crenças.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na atual sociedade globalizada, é importante educar para a vida, promovendo o desenvolvimento integral do ser humano por meio da educação e cultura. Defendendo a importância das atividades de apoio que promovam a língua, a história e a educação brasileiras no exterior. Esta me parece a melhor fórmula para promover a identidade e a diversidade cultural no continente europeu, enfatizando o papel da cultura como via para evitar conflitos e fomentar o diálogo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao incentivar a transmissão do saber de geração a geração, favorecemos a integração e os processos de resgate da cultura. Valorizamos a heterogeneidade brasileira e reconhecemos suas características próprias, caracterizando além das fronteiras territoriais uma identidade que é brasileira. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Referências Bibliográficas:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;ALBERTI, Raquel Lorensini, Estado x Mercdo e o Tipo de Definição da Ordem Global. Disponível na internet em &lt;a href=&quot;http://www.angelfire.com/sk/holgonsi&quot;&gt;www.angelfire.com/sk/holgonsi&lt;/a&gt;, Maio/2003.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;CHADE, Jamile XAVIER Edson. Brasileiros ou não: eis a questão. Disponível na internet em &lt;a href=&quot;http://www.comunidadenews.com/&quot;&gt;www.comunidadenews.com&lt;/a&gt;, Agosto/2011.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;DA COSTA, Getúlio José Moreira. Globalização e a perda da indentidade do Estado-Nação. Julho/2004.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;JOBIM, Nelson A. Dupla nacionalidade. Disponível na internet em &lt;a href=&quot;http://www.brasileirosnaholanda.com/&quot;&gt;www.brasileirosnaholanda.com&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;REIS, Aparecido Francisco. Constituição do Brasil deixa brasileiros divididos em relação aos direitos de seus filhos nascidos em terras estrangeiras. Disponível na internet em &lt;a href=&quot;http://www.fes.br/revistas/agora/ojs/&quot;&gt;www.fes.br/revistas/agora/ojs/&lt;/a&gt; , Campo Grande, v.1 n.4 2005.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;NARDI, Jean Baptiste. Cultura, identidade e Língua Nacional no Brasil: Uma Utopia? Disponível na internet em &lt;a href=&quot;http://www.apreis.org/&quot;&gt;www.apreis.org&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Vanessa Domingos Silva&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Publicado originalmente no livro “Brasileirinhos no mundo”, um livro do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com diversos textos sobre a identidade cultural brasileira no exterior e desenhos dos vencedores das duas primeiras edições do Concurso de Desenho Infantil “Brasileirinhos no Mundo”; Brasil 2012.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/8990B6B7-8FDA-4B24-A7EC-EA15193B1FBA&quot;&gt;A exposição „Brasileirinhos no Mundo“, com os desenhos premiados da Alemanha da 3ª edição do concurso, pode ser vista na Embaixada do Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012.&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;19.11.2012</description>
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      <title>Festival Berlinda: Diálogos Económicos</title>
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      <pubDate>Tue, 23 Oct 2012 12:27:11 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/10/23_Festival_Berlinda__Dialogos_Economicos_files/IMGP3840_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object273_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:186px; height:133px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;No contexto do Festival Berlinda tem sido possível caminhar em sentido produtivo. No dia 22 de outubro foi a vez dos Diálogos Económicos que pulsaram ao ritmo potenciador de um diálogo entre cultura e economia, contando com a presença de cerca de 100 participantes. &lt;br/&gt;A iniciativa integrada no Festival Berlinda, um evento cultural, visou sensibilizar os agentes económicos para a sua responsabilidade social, que pode ser voltada para investimentos na área cultural, fomentando ações com impacto direto na vida da comunidade. As parcerias entre a aicep e os agentes culturais desempenham aqui um papel decisivo.&lt;br/&gt;Um outro objetivo deste evento foi promover o diálogo entre empresas portuguesas e alemãs, catalisando as redes de contactos empresariais entre estes dois países. As apresentações feitas neste evento inovador ressaltaram a qualidade de tudo o que temos para oferecer, contribuindo para o enriquecimento da reputação de Portugal na Alemanha.&lt;br/&gt;A energia destes diálogos foi geradora de um olhar aberto e realista sobre um Portugal contemporâneo, criando um espaço de solidarização do Lebenswelt .&lt;br/&gt;O sucesso do evento, confirmou a necessidade de promover mais encontros como este. Berlinda.org colocou a sua plataforma e as suas futuras iniciativas à disposição da participação das empresas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Evento de 22.10.2012 &lt;br/&gt;Diálogos Económicos Portugal-Alemanha &lt;br/&gt;Organização de Berlinda.org em parceria com a aicep Portugal&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fotos  © Heide Waechter&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;23.10.12</description>
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      <title>APPA - Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha</title>
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      <pubDate>Mon, 1 Oct 2012 23:54:48 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/10/1_APPA_-_Associacao_de_Pos-Graduados_Portugueses_na_Alemanha_files/Bildschirmfoto%202012-10-02%20um%2000.27.00_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object002_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:182px; height:126px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;A APPA, Associação de Pós-graduados Portugueses na Alemanha, é um projeto em construção, nascido no verão de 2012, com o intuito de fundar uma organização independente e sem fins lucrativos para representar, promover e defender os interesses de estudantes, investigadores e trabalhadores pós-graduados portugueses na Alemanha.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foto © &lt;a href=&quot;http://www.sxc.hu/&quot;&gt;sxc.hu&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;BERLINDA: Como é que surgiu a ideia de criar uma Associação que reúna os Pós Graduados Portugueses residentes na Alemanha?&lt;br/&gt;APPA: Há já algum tempo que havia uma vontade de criar uma associação desta natureza, à semelhança do que acontece há vários anos e com grande sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido. No entanto, o projeto só começou a tomar forma recentemente, quando um grupo de investigadores de vários institutos berlinenses se reuniu, catalisados pelo grupo Portugueses em Berlim.&lt;br/&gt;Sentíamos que havia a necessidade de criar uma plataforma que reunisse os investigadores portugueses residentes na Alemanha, e estimulasse a interação destes com os universos académicos e empresariais alemão e português.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;B: Fala-se hoje muito na fuga de cérebros, ou seja, na emigração em massa de cidadãos altamente qualificados. Em que medida é que este fenómeno contribuiu para a formação da APPA?&lt;br/&gt;APPA: Devido à atual conjuntura económica que se vive em Portugal há de facto a perceção de que houve um aumento exponencial do número de portugueses com formação superior a optar por sair do país. Neste contexto, a Alemanha é vista como um destino privilegiado devido ao seu dinamismo económico e a um crescente universo de Investigação &amp;amp; Desenvolvimento. Por esta razão torna-se ainda mais imperativa a existência deste tipo de estrutura.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;B: Que tipo de atividades é que a vossa Associação se propõe desenvolver?&lt;br/&gt;APPA: A APPA quer ser acima de tudo nesta fase inicial um espaço de discussão aberto e permeável à contribuição de todos os interessados, na definição dos propósitos e estratégias que melhor se adaptem às pretensões da comunidade.&lt;br/&gt;Pode no entanto delinear-se já alguns objetivos gerais. O que a APPA pretende essencialmente é estimular a interação da comunidade pós-graduada portuguesa na Alemanha com os universos académicos e empresariais alemão e português, promovendo assim a mobilidade e a empregabilidade. Isso irá passar muito pela promoção a divulgação dos êxitos e realizações da comunidade pós graduada portuguesa na Alemanha, o que irá fortalecer a posição e influência desta junto da população alemã e luso-descendente.&lt;br/&gt;Para além destes grandes objectivos, queremos que a acção da APPA passe também um pouco pelo apoio à integração na sociedade Alemã de novos membros da comunidade pós graduada portuguesa, assim como pela assistência ao seu potencial regresso a Portugal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;B: Quem poderão ser os interessados em fazer parte da APPA?&lt;br/&gt;APPA: Todos os estudantes de pós-graduação, investigadores e trabalhadores pós-graduados portugueses e luso-descendentes residentes na Alemanha poderão eventualmente tornar-se membros da APPA. Até ao momento a iniciativa tem estado restringida a Berlim por facilidade de comunicação. Num futuro próximo pretendemos, obviamente, divulgar o conceito no resto do país.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;B: Como é que os possíveis interessados poderão contactar a vossa Associação? &lt;br/&gt;Os eventuais interessados em participar na fase de construção do projeto poderão em breve registar-se numa página na internet, que servirá como fórum e plataforma integradora de propostas. Enquanto o site se encontra em construção, poderão contactar-nos através do e-mail: &lt;a href=&quot;mailto:iniciativa.appa@gmail.com/&quot;&gt;iniciativa.appa@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;Estamos recetivos a sugestões e ideias e contamos com o apoio de todos para a divulgação deste projeto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em 2012 houve no âmbito do Festival Berlinda um &lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Festival_Berlinda/PT/wordpress/?page_id=447&quot;&gt;encontro de networking&lt;/a&gt; para contactos com empresas alemãs, no qual a APPA participou. &lt;br/&gt;Para mais infromações sobre a APPA, pode aderir ao grupo no &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/groups/iniciativa.appa/?fref=ts&quot;&gt;Facebook&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;1.10.12</description>
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      <title>BERLINDA.ORG no FOCUS BRAZIL EUROPA</title>
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      <pubDate>Wed, 5 Sep 2012 14:12:09 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/9/5_BERLINDA.ORG_no_FOCUS_BRAZIL_EUROPA_files/Bildschirmfoto%202012-09-05%20um%2016.33.54.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object018_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:182px; height:122px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;O magazine BERLINDA é um dos convidados do Seminário FOCUS-BRAZIL EUROPA 2012, de 20 a 22 de setembro de 2012, em Londres. Este é um evento internacional que reúne órgãos de comunicação de e para brasileiros no exterior, bem como empresas, diplomatas, professores e participantes ativos na difusão da língua portuguesa, cultura e negócios brasileiros.&lt;br/&gt;Ao longo de três dias, temas como difusão da cultura brasileira no exterior, multinacionais brasileiras, emigração brasileira, e a promoção do ensino do português, serão alguns dos temas discutidos neste evento, que vai na sua 2ª edição europeia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Magazine Berlinda.org estará presente no Painel de Mídia Comunitária, numa discussão sob o tema “Qualidade do Conteúdo e Relevância da Informação na Mídia Comunitária”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Focus-Brazil Europa 2012 é apresentado pela TV Globo International e TAM Airlines com apoio cultural do Banco do Brasil e Ministério das Relações Exteriores/Consulado-Geral do Brasil em Londres e Embaixada do Brasil no Reino Unido. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;SEMINÁRIO FOCUS-BRAZIL EUROPA &amp;amp;&lt;br/&gt;BRAZILIAN INTERNATIONAL PRESS AWARDS &lt;br/&gt;United Kingdom • 2012&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; A edição 2012 do Seminário Focus-Brazil Europa vai acontecer de 20 a 22 de setembro com eventos na Embaixada do Brasil e Hilton Hotel Canary Wharf, em Londres e terá como destaque a produção literária brasileira no exterior a promoção da língua portuguesa os assuntos da comunidade brasileira no Reino Unido e as perspectivas de negócios com a realização da copa do mundo e das olimpíadas no Brasil.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;77 palestrantes convidados de 14 países estão confirmados. O Focus-Brazil Europa 2012 é apresentado pela TV Globo International e TAM Airlines com apoio cultural do Banco do Brasil e Ministério das Relações Exteriores/Consulado-Geral do Brasil em Londres e Embaixada do Brasil no Reino Unido. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Confira abaixo a agenda do evento:&lt;br/&gt;_____________________________________________&lt;br/&gt;FOCUS-BRAZIL/ EUROPA 2012&lt;br/&gt;LONDRES, 20 a 22 de Setembro&lt;br/&gt; &lt;br/&gt; 20 de SETEMBRO – Quinta-feira EMBAIXADA DO BRASIL NO REINO UNIDO (14-16 Cockspur Street – London – SW1Y 5BL)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;14:00 / 14:05 Cerimônia de Abertura Saudação de Abertura: Carlos Borges&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;14:05 / 15:00 Painel Brasileiros no Reino Unido Mediador: Ricardo Pereira (Rede Globo / Europa)&lt;br/&gt;Observadores: Ijeoma Ajibade (Política Econômica e Negócios / Greater London Authority) Secretário Krishna Monteiro (Consulado-Geral do Brasil em Londres)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;Tema 1: “Questões de Gênero na Emigração Brasileira” Coordenadora: : Else R. P. Vieira (Membro Titular do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior para a Europa)&lt;br/&gt; Convidados Mesa 1 : • Cathy Mcllwaine (Professora Catedrática de Geografia Humana; Queen Mary University of London) • Sônia Schwendler • Graciela Ravetti (Coordenadora da Pós-Graduação em Estudos Literários  e Professora Titular de Estudos Latino-Americanos,  Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais; Coordenadora no Brasil do Projeto “Imigração. Gênero e Trabalho”, patrocinado pelo CNPq e FAPEMIG)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tema 2: “Conquistas e desafios dos emigrantes brasileiros sob a perspectiva de gênero e sexualidade”&lt;br/&gt; Convidados Mesa 2: • Iris Griffiths (Pesquisadora de Marketing e de Comunicação Transcultural / Across Research) • Zenilde o’Donnell: (Psicóloga, Londres) • José Resinente (Naz Vidas Coordinator, NAZ Project, London) • Myriam Bell (Latin American Women’s Rights Services) • Adilson Braz (Arts Meeting Alliance, Londres) • Jane Sacco (Gay Rights Activist)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;15:30 / 15:45 – Coffee Break&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;15:45 / 17:00 Tema 2: “CRBE – Balanço e Perspectiva” Palestrante Convidado: • Silair Almeida (Conselheiro CRBE / América do Norte &amp;amp; Caribe) Convidados: • Carlos Mellinger ( Conselheiro Titular CRBE-UK / Casa do Brasil em Londres) • Laércio Silva (Conselheiro Titular CRBE-UK / ABRAS) • Else R.P. Vieira (Conselheira Suplente CRBE-UK) • Queila Rosa (ABRASA-Suiça)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;18:00 / 21:00 Focus Brazil Video Fest Londres 2011 Tema: “A emigração brasileira no cinema” (com a presença  de diretores e atores) Curadora: Else R.P. Vieira (Cineclube de Língua Portuguesa, Queen Mary University of London) Edição: Amaranta Thompson (SOAS, University of London)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Videos Selecionados: • “Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado” (Brasil, Joel Zito Araújo, 2009) • “Brasileiros como eu/Brésiliens comme moi” (Bélgica, Susana Rossberg, 2008) • “City of Dreams” (Reino Unido, Rose da Silva/Chamberlain, 2005) • “Eliano Braz” (Estados Unidos, Daniel Burity,  2010) • “A Brazilian Immigrant” (Reino Unido, Daniel Florêncio, 2005) • “Karl Marx Way” (São Paulo, Flávia Guerra, 2009) • “Jean Charles” (Reino Unido e Brasil, Henrique Goldman, 2009) • “Princesa” (Itália e Reino Unido, Henrique Goldman, 2001)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; 21 de SETEMBRO  – Sexta-feira HILTON CANARY WHARF CONFERENCE ROOM (South Quay, Marsh Wall, London, E14 9SH)&lt;br/&gt; 09:00 / 09:10 Cerimônia de Abertura Saudação de Abertura: Carlos Borges Saudação Especial: Ricardo Pereira (Rede Globo / Europa) Convidado Especial: Embaixador Marcus de Vincenzi (Cônsul-Geral do Brasil em Londres)&lt;br/&gt; 09:10 / 11:00 Painel de Negócios Tema 1: “Multinacionais brasileiras e a nova posição do Brasil no mundo” Tema 2: “Copa 2014 e Olimpíadas 2016 – Marketing &amp;amp; Oportunidades” Convidados a ser confirmados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:00 / 13:00 – Intervalo para Almoço&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; 13:00 / 15:00 Painel Promoção Cultura Brasileira no Exterior Tema: “O Desafio de promover arte e cultura brasileira no exterior”&lt;br/&gt; Palestrantes Convidados: •Carlos Borges (Focus Brazil Foundation) Palestrantes Convidados: • Silvana Magda (USA) • Arthur Muranaga (Japão) • Mariana Pinho (Maracatudo Mafuá &amp;amp; Gandaia – UK) • Tereza Araújo (UK) • Loren Oliveira (USA) • Batalá (UK)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;15:00 / 17:00 Painel Mídia Brasileira Tema: “Qualidade do Conteúdo e Relevância da Informação na Mídia Comunitária”&lt;br/&gt; Palestrantes Convidados: • Vicente Lou (Leros – UK) • Mauro Cardoso (Brazuca – França) • Silvia Kikuchi (IPC – Japão) • Edilberto Mendes (The Brasilians – USA) • Laine Furtado (Linha Aberta – USA) • Zigomar Vuelma (Presidente da ABI-Internacional)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mídias Convidadas: • AB Classificados – Angela Piqui (Bélgica) • Agora Notícias – Erika Piacentini Zidko (Itália) • Aqui Milão – Rodrigo Sargnini (Itália) • Berlinda.org – Inês Thomas Almeida (Alemanha) • Brasileiros na Holanda – Márcia Curvo (Holanda) • Brazil com Z – João Compasso (Espanha) • Brazil ETC – Tânia Spittle (UK) • Brazilian News – Márcio Ceccarelli (UK) • Brazilian Post – Marcelo Mortimer (UK) • Guia ACIBRA – Bianca Donatangelo (Alemanha) • JungleDrums / Vamos! – Juliano Zappia (UK) • Linha Direta – Irene Zwetsch (Suiça) • NewsBRazil – Ricardo Lúcio (Irlanda) • O Favorito – José Ronaldo (Estados Unidos) • Real Magazine – Régis Querino (UK)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;17:30 / 18:30 Press Conference do BRAZILIAN DAY LONDRES 2012 com as presenças de: • Lulu Santos • Serginho Groisman • Daniel&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;22 de SETEMBRO  – SÁBADO HILTON CANARY WHARF CONFERENCE ROOM (South Quay, Marsh Wall, London, E14 9SH)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;10:00 / 12:30 Painel Promoção e Ensino do Idioma Português Tema: “Diagnóstico do ensino e promoção da Língua Portuguesa no Reino Unido”&lt;br/&gt; Palestrantes Convidados: • Kátia Fonseca (Fundação Focus Brazil / UK) Palestrantes Convidados &amp;amp; Temas: • Antonio Marcio da Silva “Português como língua estrangeira em universidades inglesas” • Aline Belisario “A experiência de crianças brasileiras em escolas primárias na Inglaterra” • Francisco  Schreiber “A experiência de adolescentes brasileiros em escolas secundárias na Inglaterra” • Graciano Soares (BrEACC) “A experiência de escolas brasileiras comunitárias/complementares” • Ana Souza  (ABRIR) “Português como língua de herança”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:00 / 12:30 Premiação dos Concursos Estudantís Focus Brazil de desenhos, composições e fotografias de temática brasileira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;12:30 / 13:00 – Intervalo para Almoço&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;13:00 / 17:00 Painel de Literatura Tema: “Um novo fenômeno: Uma Literatura de Brasileiros no Exterior”&lt;br/&gt; Organizadoras:  Professora Else R. P. Vieira e Mariana Brasil&lt;br/&gt; Introdução: Um novo fenômeno e seus desafios.&lt;br/&gt;Uma literatura produzida por brasileiros fora do país • Else R. P. Vieira (Professora Catedrática de Estudos Brasileiros  no Queen Mary, University of London e Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior para a Europa)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;MESA 1: EM QUE LÍNGUA ESCREVE O ESCRITOR BRASILEIRO FORA DO PAÍS? COMO ELE/ELA CONSTITUI UM PÚBLICO LEITOR? Coordenação: Graciela Ravetti (Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade Federal de Minas Gerais) • Lígia Braz (Alemanha) • Vera Lúcia de Oliveira  (Itália) • Jacilene Brataas  (Noruega) • Natan Barreto (Reino Unido)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;MESA 2: A PRODUÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE UMA LITERATURA INFANTIL E INFANTO-JUVENIL FORA DO PAÍS Coordenação: Else R. P. Vieira (Queen Mary, University of London e Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior para a Europa) • Sylvia Roesch (Reino Unido) • Roseni Kuranyi   (Alemanha) • Beti Rozen    (Estados Unidos) • Alexandra Magalhães  Zeiner  (Alemanha) • Rosemary Mantovani  (Itália)&lt;br/&gt; MESA 3: A PRODUÇÃO /COMERCIALIZAÇÃO DE UMA LITERATURA DE BRASILEIROS FORA DO PAÍS E A CRIAÇÃO DE UMA IDENTIDADE DE CLASSE Coordenação: Mariana Brasil (Conselho Diretivo da A.C.I.M.A, Itália) • Mariana Brasil (Itália) • Diva Pavesi  (França) • Lúcia Amélia  Brüllhardt  (Suíça) • Josane Mary Amorim   (Estados Unidos) • Carlos Ventura (Suíça)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;MESA 4: LEITURA DE TRECHOS DAS OBRAS&lt;br/&gt;Coordenação: Ana Beatriz Gonçalves (Professora Adjunta de Literatura, Universidade Federal de Juiz de Fora) • Euma Fernandes   (Reino Unido) • Sandra Bettonte   (Suiça) • Karina Martinelli (Irlanda) • Vinicius Gubert (Reino Unido)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;Importante: No Hall de acesso à sala de convenções, haverá uma&lt;br/&gt;EXPOSIÇÃO DOS LIVROS PRODUZIDOS POR BRASILEIROS FORA DO PAÍS&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;16:30 / 16:45 – Coffee Break&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;16:45 / 18:30 Painel ABEP (Associação Brasileira dos Estudantes de Pós-Graduação em UK) Tema: “Perfil, conquistas e desafios dos pesquisadores e estudantes brasileiros de pós graduação no Reino Unidos e Perspectivas da ABEP-UK”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Palestrantes Convidados: • Camila Condilo (University of Cambridge / Presidente da ABEP-UK) • Else R. P. Vieira (Queen Mary University of London-UK) • Diego Scardone (University of Oxford / Dir. Executivo da ABEP-UK) • Michael Freitas Mohallem (University College London / Ex-Presidente da ABEP-UK)&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;BRAZILIAN INTERNATIONAL PRESS AWARDS / UK 2012 22 de SETEMBRO – Sábado HILTON CANARY WHARF CONVENTION CENTER (South Quay, Marsh Wall, London, E14 9SH)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;19:45 / 20:00 Abertura do teatro e exibição de vídeos retrospectivos&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;20:00 / 20:30 Show com BRAZILIAN VOICES&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;20:30 / 22:30&lt;br/&gt;Cerimônia de Premiação com apresentações musicais de:&lt;br/&gt;Menino Josué e Anselmo Netto Beatriz Malnic Duvyarup&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mais informações: &lt;a href=&quot;http://focusbrazil.com/&quot;&gt;Focus Brazil&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;5.9.12</description>
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      <title>Berlim, São Paulo, Hip Hop e crianças de rua</title>
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      <pubDate>Sat, 14 Jul 2012 10:58:45 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/7/14_Berlim,_Sao_Paulo,_Hip_Hop_e_criancas_de_rua_files/ongconceitos3_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object000_2.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:145px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;A Associação Conceitos de Rua e a rede HipHopTude são duas organizações que desenvolvem os seus trabalhos em Berlim e em São Paulo e apoiam diversos projetos socio-culturais dirigidos a crianças de rua e jovens das periferias de São Paulo. Recentemente, convidaram &lt;a href=&quot;../../Olhares/Olhares/Eintrage/2012/6/14_Pixacao_pura_e_dura__confusao_na_Bienal_de_Berlim.html&quot;&gt;pixadores brasileiros&lt;/a&gt; para virem a Berlim, e no dia 14  de julho haverá um concerto do cantor de Hip Hop &lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/9B372CB7-FE37-43C3-9A20-EF7570DCB0E2&quot;&gt;Emicida&lt;/a&gt; em Berlim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No Brasil, a cultura de hip hop é desde sempre uma atividade praticada por jovens dos guetos. Foi o hip hop que lhes deu oportunidade de estabilizarem a sua identidade e, simultaneamente, estabelecerem-se como um exemplo e referência dentro da comunidade e vida dos guetos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foto © Conceitos de Rua.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&amp;quot;Conceitos de Rua&amp;quot; é uma associação sem fins lucrativos lendária, fundada em 1991, em Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, cujos conteúdos são de natureza cultural, política e social. Os colaboradores dedicados à área da cultura provêm todos originalmente do mundo do hip hop e dos movimentos das ciências sociais. É por via do hip hop que estabelecem uma ligação com as crianças de rua e jovens, com os quais seguidamente ensaiam coreografias e músicas no âmbito de workshops de hip hop organizados para eles. A elaboração individual de textos de hip hop ajuda as crianças e jovens a ultrapassarem as suas vidas difícieis na rua, fomenta o empenhamento social e aproxima-os a conteúdos políticos. Uma vez obtido o entusiasmo por parte das pessoas, o passo seguinte é a integração nas escolas: Com o apoio dos professores, o hip hop e a música juvenil passam a fazer parte das aulas, pretendendo assim entusiasmar as crianças e jovens, que antes se mantinham ausentes da escola, a retomarem as aulas regulares.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Paralelamente ao projeto parceiro &amp;quot;Conceitos de Rua&amp;quot;, existe a rede HipHopTude, uma rede que desenvolve outros projetos e estabelece ligações com instituições, que no seu dia-a-dia se dedicam a temas como o hip hop, racismo e crianças de rua e com as quais trocam informações sobre a situação actual no Brasil e na Alemanha.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Workshop com crianças e jovens em São Paulo. Foto © Conceitos de Rua.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Conceitos de Rua foi fundada em 1989 como um projeto de colaboração entre artistas de hip hop e activistas (&amp;quot;Posse&amp;quot;) brasileiros na região Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. A iniciativa dispunha no início de mais de 400 membros e com base no seu forte empenho contra a violência policial, o racismo e a marginalização de jovens das zonas urbanas mais pobres (periferias) é até hoje considerada um ponto de referência na área da cultura de São Paulo, no mundo do hip hop e em todo o Brasil e América do Sul.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com o tempo, o interesse público pela &amp;quot;Posse&amp;quot; aumentou cada vez mais, resultando num interesse elevado por parte de académicos e investigadores. Seguiram-se diversos convites e participações em seminários, filmes documentários e projectos de intercâmbio nacionais e internacionais. Foi na sequência desses desenvolvimentos que a &amp;quot;Posse&amp;quot; criou, em 2000, a ONG Conceitos de Rua, passando, a partir daí, a integrar intelectuais, artistas, músicos, produtores e outras organizações parceiras na sua rede de colaboradores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Apoiar a periferia&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desde a passagem para ONG, Conceitos de Rua tem como objectivo o apoio e acompanhamento de projetos e iniciativas socio-culturais, cujos focos são as expressões culturais de jovens e a forma de representação urbana de um modo geral.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os principais focos de trabalho de Conceitos de Rua são: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;	• Realização e apoio de projetos, grupos e iniciativas socio-culturais, que surgiram no âmbito do &amp;quot;street movement&amp;quot;; &lt;br/&gt;	• Realização de funções de referência e intervenção de projectos, produções e atividades socio-culturais na zona urbana;  &lt;br/&gt;	• Iniciação de atividades, que conduzam ao reconhecimento da zona urbana periférica enquanto herança cultural histórica e artisticamente importante; &lt;br/&gt;	• Realização de projetos de investigação etnográficos e de cartografia;&lt;br/&gt;	• Levantamento de questões éticas importantes e reforço da consciência fundamental sobre os direitos do Homem e os direitos civis; &lt;br/&gt;	• Realização e apoio de projetos de intercâmbio intra e interculturais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Workshop com crianças e jovens em São Paulo. Foto © Conceitos de Rua.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ligação com Berlim&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enquanto grande parte do grupo de colaboradores vive e trabalha em São Paulo, um dos iniciadores, Kall do Vale, decidiu mudar-se para Berlim, onde reside desde 2008. Em 2000, fundou a rede HipHopTude, a qual é composta por ativistas oriundos de países como o Brasil, França, EUA, Portugal, Cabo Verde, Senegal, Angola, Chile, Argentina, Cuba, Noruega, Alemanha e Canadá. Os elementos da cultura hip hop servem de ferramenta para a realização de projetos socio-culturais, com o objetivo de fazer avançar a discussão crítica das estruturas sociais e educacionais predominantes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Kall do Vale, um dos iniciadores do projeto Conceitos de Rua, que vive atualmente em Berlim. Foto © Kall do Vale.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nos últimos 10 anos, Conceitos de Rua organizou vários encontros de natureza social e artística entre artistas de hip hop de São Paulo e Berlim, e no âmbito desses encontros trocaram-se experiências e conhecimentos, gravaram-se músicas conjuntas e filmes documentários, realizaram-se workshops em escolas e implementaram-se projetos sociais nas favelas de São Paulo. A discussão e reflexão sobre temas como racismo, integração, cultura e discriminação positiva são elementos fundamentais, e são os elementos que conduzem à integração e comunicação entre as culturas, etnias e origens diferentes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Capão Redondo&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nos anos 80 e 90, o bairro Capão Redondo, o chamado &amp;quot;triângulo da morte&amp;quot;, era considerado a zona mais perigosa da cidade de São Paulo (dados da ONU). O nome &amp;quot;triângulo da morte&amp;quot; deve-se à grande taxa de mortalidade e ao considerável número de cemitérios ocultos, nos quais se enterrou numerosos cadáveres. A presença de violência nesta região mantém-se sobretudo devido às persistentes, e frequentemente arbitrárias, operações policiais e às desordens provocadas pelo tráfico de drogas. O status quo reflete, portanto, de modo drástico o desinteresse dos atores políticos e a ausência de medidas sociais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Capão Redondo, Campo Limpo e Vila Andrade são bairros da freguesia Campo Limpo, onde , no total,  vivem 550 000 habitantes em 36, 7 km2 (dados de 2010). Ou seja, 16 542 habitantes por km². Um terço destes habitantes vive nas 237 favelas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eis alguns factos da região Campo Limpo: (Fonte: SEADE/SP - 2000)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;	• Cerca de 70 % dos jovens vive em constante violência e negligência social&lt;br/&gt;	• A taxa de maternidade de raparigas entre 14 - 17 anos é elevadíssima&lt;br/&gt;	• 47% da população entre 18 - 19 anos não concluiu a escola primária &lt;br/&gt;	• 37% dos alunos do secundário não passa de forma regular de um ano escolar para outro &lt;br/&gt;	• Em mais de 42% de famílias os pais frequentaram a escola apenas durante 4 anos &lt;br/&gt;	• Apenas 3,56% da população concluiu uma formação profissional/ curso universitário &lt;br/&gt;	• 22,3% dos pais de família estão desempregados &lt;br/&gt;	• A maioria dos jovens está desempregada, não dispõe de rendimentos ou perspetivas de uma situação profissional normal &lt;br/&gt;	• A região Campo Limpo dispõe, no total, de cinco bibliotecas, um parque com parque de recreio, nenhum teatro, nenhuns cinemas etc. &lt;br/&gt;	• Devido à elevada presença de violência (tráfico de armas e de drogas etc.) de três em três dias morre uma pessoa (45% entre 20 e 34 anos) &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Contatos:&lt;br/&gt;Alemanha:&lt;br/&gt;Kall do Vale&lt;br/&gt;EMail: &lt;a href=&quot;mailto:kall_mczulu@yahoo.com.br/&quot;&gt;kall_mczulu@yahoo.com.br&lt;/a&gt; &lt;br/&gt;Skipe: kall.do.vale&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Brasil:&lt;br/&gt;Rodrigo Domenech &lt;br/&gt;EMail: &lt;a href=&quot;mailto:conceitosderua@gmail.com/&quot;&gt;conceitosderua@gmail.com&lt;/a&gt; &lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;mailto:rodrigo.domenech@yahoo.com.br/&quot;&gt;rodrigo.domenech@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cooperação &amp;amp; Apoio Odara Sol - Artikulation &lt;br/&gt;EMail: &lt;a href=&quot;mailto:universosol@yahoo.com.br/&quot;&gt;universosol@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para mais informações:&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.conceitosderua.blogspot.com/&quot;&gt;www.conceitosderua.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.cityofhiphopprojekt.blogspot.com/&quot;&gt;www.cityofhiphopprojekt.blogspot.com&lt;/a&gt; (projecto extra)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Donativos: &lt;br/&gt;Titular da conta:: Conceitos de Rua	&lt;br/&gt;Nome do Banco: Banco Itau &lt;br/&gt;NIB: 71619-4	&lt;br/&gt;Número de conta: 341 &lt;br/&gt;Sede: 0445&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Conceitos de Rua/Hip Hop Tude&lt;br/&gt;Com um agradecimento especial a Rita Raimundo pela tradução em português.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;14.6.12</description>
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      <title>Back to the fifties - à descoberta do Portugal dos anos 50 com Alfred Ehrhardt</title>
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      <pubDate>Wed, 20 Jun 2012 15:19:12 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/6/20_Back_to_the_fifties_-_a_descoberta_do_Portugal_dos_anos_50_com_Alfred_Ehrhardt_files/Portugal%20Pressebild001_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object080.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:159px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Quer comecemos por ver os seus filmes documentários ou as suas fotografias, rapidamente nos apercebemos de que muitas das imagens de Alfred Ehrhardt são recorrentes, um artefacto ao qual o artista recorre deliberadamente. Alfred filmou o seu documentário de 82 minutos, “Portugal – um país junto ao mar”, e ao mesmo tempo fotografou-o, resultando num testemunho contemporâneo insubstituível de fotografia e vídeo histórico. Os temas que neles se encontram refletem o Portugal dos anos 50.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Moinhos de vento muito antigos junto ao Atlântico ©Alfred Erhardt Stiftung&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A coleção conta com cerca de 400 fotografias a preto e branco tiradas durante os 5 meses de filmagens em Portugal no ano de 1951. Num primeiro plano, o público tem a oportunidade de contemplar os trabalhos portugueses de Alfred Ehrhardt. Nesta exposição, os visitantes poderão ver uma seleção impressionante das centenas de fotografias do artista. A estética especial das fotografias surpreende pela precisão desta composição de país, pessoas e cultura. Os temas têm um impacto nos observadores, como se de pinturas se tratasse e não tanto de retratos do mundo real.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fiandeira portuguesa © Alfred Ehrhardt Stiftung&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A tendência de colocar em primeiro lugar as pessoas no foco principal em muitos dos seus trabalhos é característica da criação artística de Alfred Ehrhardt. No sentido mais amplo, o artista considera-se um fotógrafo de natureza, escultura e arquitetura. Este enfoque manifesta-se na sua confrontação com a composição de materiais, estruturas de superfície, ornamentos, ritmo, dinâmica, contraponto e polifonia. O seu entendimento da arte é também percetível nas suas obras fotográficas de Portugal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Colunas do Mosteiro da Batalha © Alfred Ehrhardt Stiftung&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Alfred Erhardt (1901 – 1984) foi organista, diretor de coro, compositor, pintor e trabalhou na área da pedagogia artística antes de se tornar fotógrafo e realizador de filmes. Na Bauhaus de Dessau, entre 1928 e 1929, inspirou-se em Josef Albers, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Oskar Schlemmer e Lyonel Feininger. Na Landeskunstschule (academia de artes regional) de Hamburgo, coordenou o curso preparatório de Ciências dos Materiais. Graças ao seu entendimento modernista da arte, foi dispensado do serviço de ensino em 1933 pelos nacionais-socialistas, passando a dedicar-se à fotografia e à arte cinematográfica. Alfred Erhardt foi um dos fotógrafos mais bem-sucedidos da Escola de Bauhaus. Publicou mais de 20 livros de fotografia. Os mais de 50 filmes na área das artes e da documentação consagraram-lhe inúmeros prémios a nível nacional e internacional.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Toureiro português a cavalo © Alfred Ehrhardt Stiftung&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O fascínio que Alfred Ehrhardt cultivava por Portugal reflete-se nas observações exatas das suas fotografias na exposição “Portugal 1951 – 1961”. Os contrastes de Portugal dos anos 50 são apresentados de várias formas, sobrepondo o presente e o passado. Por um lado, retrata as pessoas nos seus métodos de produção arcaicos e tradições folclóricas, por outro focaliza os edifícios residenciais modernos ou o desenvolvimento técnico do país. É difícil acreditar que já passaram 60 anos desde a criação destas imagens. As imagens que representam as condições de outrora continuam a exercer um charme exótico sobre os observadores contemporâneos, da mesma forma que o forte registo visual do filme prende a atenção dos seus espectadores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em 1951, Alfred Ehrhardt realizou o seu primeiro grande filme cultural, um filme realizado por um alemão no estrangeiro após 1945: “Portugal – um país junto ao mar”. Fritz Kempe, coordenador da galeria Staatliche Landesbildstelle de Hamburgo comentou: “O que raramente acontece em filmes culturais de longa-metragem acabou por suceder com este filme: o realizador foi capaz de estabelecer correlações interessantes e coerentes entre si. Digna de louvar também é a sua fotografia exemplar que realça a estrutura geográfica de uma forma impressionante.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O barco da Torreira © Alfred Ehrhardt Stiftung&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esta não foi a única viagem que Alfred Ehrhardt fez à Península Ibérica. Alguns anos mais tarde surgiram mais curtas-metragens ilustrando a história e cultura portuguesas: a arquitetura em estilo manuelino, a pesca da sardinha, a extração da cortiça ou a produção de vinho do Porto. Como em todos os seus filmes, Alfred Ehrhardt foi responsável pela realização, câmara, corte e produção.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Daniela Franzisi&lt;br/&gt;Com um agradecimento especial a Margarida Camejo pela tradução em português.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/ED151F99-437C-4E5D-9215-4A6BB43CF26B&quot;&gt;&amp;quot;Portugal 1951-1961&amp;quot;&lt;br/&gt;Fotografia e filmes sobre o Portugal dos anos 50&lt;br/&gt;De 5 de maio a 15 de julho de 2012&lt;br/&gt;Alfred Ehrhardt Stiftung&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;18.6.12</description>
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      <title>Pixação: a revolta brasileira nos prédios</title>
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      <pubDate>Fri, 15 Jun 2012 00:55:34 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/6/15_Pixacao__a_revolta_brasileira_nos_predios_files/3228399292_44ed4d7969_b_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object081.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:320px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Há muito que pixação[1] anda na boca do mundo brasileiro. Os próprios canais televisivos brasileiros relatam sobre as ações dos “criminosos” das ruas e dos telhados, que “destroem” as paredes desfolhadas dos prédios de São Paulo com os seus escritos. Comentário sobre um dos vídeos mais críticos do Youtube: “As paredes continuam a desempenhar a sua função, apenas estão marcadas. Porque é que isso é considerado crime?”&lt;br/&gt;Foto © &lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/marcogomes/3228399292/&quot;&gt;Marco Gomes&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;Enegrecer ou cobrir com alcatrão é o significado da palavra brasileira “pixar” que deu origem ao termo dos sprayers cada vez mais rápidos e mais altos. Os prédios de São Paulo, que têm crescido como ervas daninhas nesta cidade de 20 milhões de habitantes, estão cheios destas marcas e a polícia praticamente de mãos atadas perante os mais de 30.000 pixadores da metrópole.&lt;br/&gt;A emissora de televisão alemã ZDF também deu aos pixadores cinco minutos de tempo de antena no jornal da noite em 2010, acompanhando alguns jovens durante as suas operações pela calada da noite sobre os telhados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O que mais distingue os pixadores da cena de graffitis consiste no facto de a procura constante de novos spots ser uma questão de honra, em especial quando se trata dos sítios mais perigosos. Pixar as marcas de outro pixador seria uma ofensa particular e certamente um bom motivo para se ser desrespeitado pelos pixadores em geral.&lt;br/&gt;Os pixadores regem-se por princípios muito diferentes, como o comprovaram no decorrer da 29.ª Bienal de São Paulo. Não se integram no conceito socialmente aceite da cena de streetart e seus ateliês. Para o evidenciar, invadiram - após aviso prévio - a Universidade de Belas Artes de São Paulo em 2008. Esta ação decorreu em protesto contra a instituição universitária mas também contra a Galeria Choque Cultural, contra os Murais de Graffiti Autorizados e contra a 28.ª Bienal de São Paulo. Cerca de 50 ativistas participaram nesta campanha contra a comercialização da Arte, ou melhor, e de acordo com a opinião da maioria dos pixadores, contra a “merda comercializada”.&lt;br/&gt;A ação que se seguiu e que teve como resultado a detenção da ativista Caroline Pivetta durante 53 dias gerou ainda mais polémica e protestos públicos, incluindo uma intervenção do ministro da Cultura, tendo sido a primeira vez que alguém no Brasil ficou detido durante tanto tempo por um delito desta natureza[2].&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No entanto, as opiniões dividem-se no Brasil e no mundo. Enquanto uns consideram estes atos como sendo arte, ação e protesto, outros vêm apenas os crimes cometidos pelos pixadores, maioritariamente provenientes das periferias. Particularmente interessante (mas, infelizmente, não disponível em Alemão) pareceu-me o comentário de uma apresentadora do Jornal da Manhã da Rede Globo sobre dois pixadores que caíram de uma altura de 10 m quando fugiam da polícia [&lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=12pHWum1AJ4&quot;&gt;Clicar aqui para ver o vídeo&lt;/a&gt;]. A apresentadora ficou aparentemente chocada pelo facto de não se tratar de dois jovens vândalos, mas sim de dois adultos (22 e 23 anos), acabando por os descrever como verdadeiros criminosos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foto © &lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/pablotrincado/7199924938/&quot;&gt;pablo/T&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;Os pixadores têm perfeita noção da sua energia criminosa pelo seu caráter anti-institucional. No convite aos pixadores para o encontro “ATTACK PIXAÇÃO” lê-se:&lt;br/&gt;VIVA A PIXAÇÃO, ARTE COMO CRIME, CRIME COMO ARTE&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na 28.ª Bienal os pixadores ainda eram vistos como “atacantes“. Dois anos depois, a pixação passou a fazer parte do elenco na Bienal de São Paulo sob a forma de fotografias de prédios pixados. Berlim também já é palco de pixação, como seria de esperar na cidade que já foi a um dos pontos-chave da cena dos graffitis. A 15 de junho, os pixadores Djan Silva, líder do grupo de pixadores CRIPTA, Biscoito do grupo UNIÃO 22 e William do grupo OPERAÇÃO vão estar em Berlim no Café Wendel na Schlesische Straße. Para além da &lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/D763E283-B7C0-4317-B991-D41F686412EE&quot;&gt;exposição&lt;/a&gt;, vai ser mostrado o documentário “100 Comédia Brasil” às 20:30 h, no qual se apresenta a cena da pixação em 5 capitais brasileiras.&lt;br/&gt;Depois do documentário, o café irá promover o &lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/D763E283-B7C0-4317-B991-D41F686412EE&quot;&gt;diálogo&lt;/a&gt; entre os pixadores e o público. Para mais informações sobre este evento, visite o Facebook [&lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/events/314470168637765/&quot;&gt;Exposição: Pixação em Berlin&lt;/a&gt;] ou a Homepage do Café Wendel [&lt;a href=&quot;http://www.nstp.de/nstp/frameset-wendel.htm&quot;&gt;Café/bar para música e design gráfico contemporâneos que não saem de onde já estão&lt;/a&gt;]. Quem passar por lá, não deverá perder a galeria com mais de 30 fotografias de pixações, que são um autêntico delírio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;[1] Pixação – ao grafar o termo com “x” e não com “ch” subentende-se falarmos da pixação feita pelos pixadores paulistanos (Nota da Redação da BERLINDA)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;[2] Também em Berlim houve recentemente distúrbios, após os pixadores, convidados pela Bienal de Berlim de 2012, terem pixado as paredes da igreja onde deveriam dar um workshop. Mais informações &lt;a href=&quot;../../Olhares/Olhares/Eintrage/2012/6/14_Pixacao_pura_e_dura__confusao_na_Bienal_de_Berlim.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. (Nota da redação da BERLINDA)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Jasmin Falk&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este artigo foi originalmente publicado em alemão no magazine online &lt;a href=&quot;http://musikompott.com/pixacao-brasiliens-revolte-auf-hochhaeusern/&quot;&gt;Musikompott&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com um agradecimento especial a Jasmin Falk pela autorização de publicação no magazine BERLINDA, e a Margarida Camejo pela tradução em português.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;14.6.12</description>
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      <title>Recursos desumanos e como humanizá-los</title>
      <link>http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/2/2_Recursos_desumanos_e_como_humaniza-los.html</link>
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      <pubDate>Thu, 2 Feb 2012 10:16:44 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2012/2/2_Recursos_desumanos_e_como_humaniza-los_files/lubango%20%28c%29%20Tiago%20Figueiredo_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object082.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:145px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Sou angolano. Cresci ouvindo comentários sobre a imensa riqueza de Angola. O país é um dos principais produtores africanos de petróleo, e o quarto produtor mundial de diamantes. Na época colonial foi também um dos maiores produtores mundiais de café.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Viajando por Angola, em criança, reparava que a maior parte dos outros meninos não possuíam sapatos. Após a independência, em 1975, a situação melhorou um pouco. A maioria dos angolanos, hoje, calça sapatos. Apesar da guerra e da má governação dezenas de milhares de angolanos conseguiram estudar e estão hoje em melhor situação económica do que os respectivos pais. Contudo, a pobreza ainda é dominante.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“O mal de Angola é o petróleo” – esta é outra frase que me habituei a escutar. Responsabilizar a riqueza pela pobreza – estando a riqueza oculta, e a pobreza explícita –  sempre me pareceu um argumento ingénuo e até um pouco paternalista.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um país rico, como uma pessoa rica, pode usar essa riqueza em seu benefício, e dos que o rodeiam, ou desperdiçá-la. É claro que uma pessoa que enriqueça – porque decobriu um tesouro no sotão -  após ter adquirido conhecimento e formação, estará melhor habilitada para administrar a sua nova fortuna, do que um analfabeto. Ou seja, a Noruega encontrava-se algumas décadas à frente de Angola, quando descobriu petróleo, e não surpreende que esteja a obter melhores resultados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Paisagem angolana. Foto (c) &lt;a href=&quot;http://diariodeviagem.animoleve.com/2012/01/04/lubango/&quot;&gt;Tiago Figueiredo&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um país sem recursos, porém democrático e  bem administrado, pode encontrar, na carência, soluções originais para os seus problemas. Como diz um velho ditado, “a necessidade aguça o engenho”. É um pouco o que vem acontecendo com as ilhas de Cabo Verde. Supondo que os caboverdianos descobrissem petróleo, acredito que conseguiriam aproveitar essa riqueza, investindo-a, como está fazendo a Noruega, em planos a longo prazo, e em recursos humanos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma anedota, muito conhecida no mundo de língua portuguesa, conta que quase a concluír o mundo Deus se entusiasmou com todas as belezas que criara nos territórios onde hoje se situam Angola e o Brasil. Apaixonou-se pelas próprias criações. Vai daí começou a semear riquezas nesses mesmos lugares. Mãos cheias de diamantes. Toneladas de ouro. Fundos lencóis de petróleo. Um dos seus anjos, que assistia a tudo, interrompeu-o um pouco consternado: “Meu Deus, veja bem, isso não está certo. Angola e o Brasil já possuem inúmeras belezas. Sol o ano inteiro. Florestas sem fim. Aves belíssimas. Praias fabulosas. Não são castigados por terramotos, por maremotos, por tufões. Acrescentar a tanta fortuna uma soma imensa de recursos naturais, ah, desculpe, mas não me parece nada justo.”&lt;br/&gt;Deus olhou-o. Sorriu. Soltou uma esplêndida gargalhada:&lt;br/&gt;“Tens razão. Mas olha só quem é que eu vou mandar colonizar aquilo.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Se em lugar de colonos, no caso portugueses, pensarmos simplesmente em pessoas, em recursos humanos, a anedota acima resume boa parte do que escrevi anteriormente: em qualquer país o mais importante são as pessoas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Transformar recursos minerais em recursos humanos, esta é, afinal, a chave para um desenvolvimento justo e sustentado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A pobreza explícita de Angola, portanto, não tem nada a ver com a sua riqueza oculta. Angola nunca viveu em democracia, e ditaduras dificilmente produzem governos estáveis, sábios e justos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma das lições a tirar das recentes revoluções democráticas no norte de África é a de que as democracias tendem a ser mais sólidas e confiáveis do que as ditaduras. Apoiar ditaduras no Terceiro Mundo, como as democracias ocidentais sempre fizeram, em nome de uma qualquer real politik, talvez não seja uma boa ideia nos dias que correm.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mesmo não tendo em conta valores morais, apenas questões económicas imediatas, parece-me óbvio que a crescente democratização da informação, através das novas tecnologias, não favorece as ditaduras.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As democracias ocidentais deveriam ter isto tem conta. É mais seguro, e, a médio prazo, sai mais barato, apoiar as democracias emergentes, e as forças democráticas nos países ainda sujeitos a ditaduras, do que colocar dinheiro ao serviço de déspotas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;José Eduardo Agualusa&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O escritor angolano José Eduardo Agualusa viveu em Berlim durante um ano. A pedido da GIZ - Sociedade para a Cooperação Internacional - escreveu um texto sobre Angola e os recursos humanos. (Nota da redação)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este artigo foi originalmente publicado na revista &lt;a href=&quot;http://www.gtz.de/de/publikationen/2911.htm&quot;&gt;Akzente&lt;/a&gt; 4/2011 da GIZ - Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com um agradecimento especial à GIZ, a Michael Kegler e a José Eduardo Agualusa pela autorização de publicação na Berlinda, e ao &lt;a href=&quot;http://www.animoleve.com/&quot;&gt;Tiago Figueiredo&lt;/a&gt; pela gentil cedência da foto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;2.2.12</description>
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      <title>Consciência negra</title>
      <link>http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/11/19_Consciencia_negra.html</link>
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      <pubDate>Sat, 19 Nov 2011 14:54:17 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/11/19_Consciencia_negra_files/Diamondog%20Cara_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object242_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:166px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;A 20 de Novembro comemora-se no Brasil o Dia da Consciência Negra. O dia simbólico, celebrado desde há muito mas com caráter oficial apenas desde 2003, serve para alertar para o longo caminho pela liberdade, percorrido e por percorrer, das comunidades afrodescendentes, seja no Brasil, na diáspora ou no mundo inteiro. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A data foi escolhida por ser o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares (1665-1695), líder negro da então maior comunidade quilombola do Brasil, o Quilombo dos Palmares, situado no estado de Alagoas. Um quilombo é uma comunidade constituída por afrodescendentes que conseguiram fugir das plantações, prisões e senzalas onde eram escravizados. Ficavam em locais de difícil acesso, embrenhados no meio do mato, para permitir a proteção da comunidade. Muitos resistiram até aos nossos dias, precisamente pelo seu isolamento geográfico -  a Fundação Palmares conta cerca de 1100 quilombos no Brasil atual. O maior e mais importante quilombo do período colonial foi o Quilombo dos Palmares, que chegou a ter cerca de trinta mil habitantes. Foi nessa altura que foi liderado por Zumbi. Nascido no Quilombo dos Palmares, Zumbi foi raptado e criado por missionários portugueses, tendo fugido deles aos 15 anos e regressado ao seu local de origem. Cedo se tornou num respeitado guerreiro. Quando os portugueses propuseram ao líder quilombola Ganga Zumba a paz, em troca da submissão à coroa portuguesa, deu-se uma cisão no governo do quilombo – por um lado Ganga Zumba, que aceitou o acordo, por outro Zumbi, que se recusou a negociar com os portugueses. Ganga Zumba morreu envenenado, e Zumbi, que tinha alcançado uma fama de herói, prosseguiu a luta contra os colonizadores, até ser abatido em 1695. A sua cabeça foi cortada, salgada e exibida em praça pública no Recife, para mostrar de forma exemplar a força dos colonizadores e dissipar os rumores segundo os quais Zumbi seria imortal e invencível. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quilombo brasileiro, no quadro „Habitação de negros“ de &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Habita%C3%A7%C3%A3o_de_Negros._Rugendas.jpg&quot;&gt;Johann Moritz Rugendas&lt;/a&gt;. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desde então, Zumbi dos Palmares tornou-se num símbolo da resistência negra, da luta contra a escravidão, e, nos nossos dias, na luta contra o racismo e discriminação. Durante toda a semana em volta do dia 20 de novembro há no Brasil e no mundo inteiro várias iniciativas que visam sensibilizar a opinião pública para a reflexão sobre o papel dos afrodescendentes na sociedade, e  alertar para os vários entraves por eles vividos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A discriminação em Berlim não é nada, comparada com a do Brasil&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E em Berlim, como é feita essa reflexão? Há discriminação para com os afrodescendentes? Para Adauto de Souza Santos, mais conhecido como Ras Adauto,  em Berlim sente-se ainda alguma discriminação, mas nada comparado com a situação vergonhosa que se vive no Brasil.  “A situação aqui é bem melhor do que no Brasil. Há discriminação – por exemplo, pessoas que que são maltratadas no trem, no autocarro, outras que começam a mexer na bolsa pensando que você por ser negro vai querer roubar a bolsa dela. Também há mulheres negras que são discriminadas, até mesmo dentro das próprias famílias. Mas tudo somado, é tudo muito mais equilibrado. A polícia de Berlim não me perturba, como me perturba no Rio de Janeiro – lá, você já é suspeito só de passar em qualquer lugar”, afirma. Adauto vive em Berlim há onze anos e trabalha como jornalista da Rádio Mamaterra de Hamburgo, e como responsável pelo serviço de imprensa da Associação Nijinski Arts Internacional e.V, que trata da integração de emigrantes e do diálogo intercultural. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Adauto de Souza Santos, alias Ras Adauto. Foto (c) Diamantino Feijó.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“O problema da consciência negra não é só nosso, dos afrodescendentes. É um problema internacional e tem de ser tratado em termos internacionais. Há organismos no Brasil que estão levando essa questão para a ONU. Não é uma coisa de dividir a sociedade, pelo contrário, é de cada vez mais integrar todo o mundo num processo de tomada de consciência de que os bens sociais são de todos.“&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A ideia é fomentar a participação de todos.  “Todos têm que contribuir, participar. Não queremos dividir brancos, negros e índios, mas sim integrar todo o mundo. É uma política para criar um espaço social que envolva todo o mundo. Queremos que os nossos filhos tenham acesso a todo o equipamento a que têm acesso os filhos dos outros. No Brasil há a concentração de regalias sociais nas mãos de uma minoria, que é responsável por muitas agressões, por exemplo agressões na mídia, ou o ataque religioso a religiões africanas no Brasil por parte de entidades evangélicas... é um problema muito complexo. A consciência negra é no sentido de ampliar a participação dos descendentes africanos aos bens sociais, que pertencem a todos. “&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“No Brasil, criou-se uma imagem fictícia que é a chamada democracia racial, segundo a qual todo o mundo é igual. Mas quem vive lá, vê que esse mito não existe. Há muita discriminação racial no Brasil. Por exemplo, eu já nem sei quantas vezes me chamaram de macaco no Brasil, desde pequeno. O racismo no Brasil vai desde chamar o afrodescendente de macaco, até cortar a sua participação efetiva na sociedade. O movimento negro tem crescido no Brasil, mas com forte resistência por parte da sociedade brasileira.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Paradoxalmente, existe no Brasil toda uma cultura que se baseia nas raízes africanas, incluindo essa grande exportação brasileira que é a música e o samba. “Não é possível falar da cultura brasileira sem se falar da presença da comunidade negra. Esta situação é um absurdo: os corpos são discriminados, mas a apropriação das culturas alimenta toda a sociedade.“ &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Adauto faz parte do concelho de cidadãos brasileiros em Berlim, coordenado pela Embaixada. “Queremos que a questão do racismo faça parte da política do governo brasileiro para as delegações no exterior. Não só o racismo sofrido pelos brasileiros nos aeroportos, por exemplo, mas também o racismo que existe dentro da própria comunidade brasileira. Há pessoas que falam comigo aqui em Berlim mas que lá no Brasil nunca o fariam. A questão do racismo está presente, mesmo na comunidade de emigrantes.” Para tratar de forma efetiva os problemas da comunidade brasileira em Berlim, Adauto criou um serviço de SOS Racismo Berlin-Kreuzberg, que atende denúncias e promove a discussão sobre o racismo, por exemplo em escolas com filhos de emigrantes e minorias étnicas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A consciência negra passa pelo conhecimento da História de África&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A mesma opinião é partilhada pelo rapper Diamantino Feijó, conhecido pelo seu nome artístico Mc Diamondog. Natural de Angola, emigrou com 19 anos para o Brasil, onde tirou o curso de Jornalismo com Formação Complementar em Política, na Universidade Federal de Minas Gerais. “Antes de viver no Brasil eu nunca tinha passado por esse processo de me afirmar como negro. Eu nasci em Angola, onde a maioria das pessoas é negra e  ninguém tem a necessidade de bater no peito e se afirmar. Quando eu cheguei ao Brasil em 1999, por causa da guerra em Angola, deparei-me com situações de discriminação e de racismo que eu nunca tinha vivido, nem sabia como lidar com elas. Foi um verdadeiro choque para mim.” A sua tomada de consciência foi uma reação à realidade que encontrou. “Eu não tinha ideia que havia tanto racismo no Brasil. Eu tinha aquele imaginário do país irmão, como o Brasil é considerado em Angola. E eu passei no Brasil, nos dez anos que lá vivi, por muitas situações vexatórias”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Diamantino Feijó, aliás Mc Diamondog. Foto (c) LMNZ.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Depois de terminar o curso, mudou-se juntamente com a sua mulher, uma alemã, para Berlim. Veio inicialmente a convite da organização Weltfriedendienst (WFD) para fazer workshops no âmbito de um projeto chamado PeaceExchange, na Polónia e na Alemanha. Acabou por ficar e fazer o mestrado em Antropologia na Universidade Livre de Berlim. Nesta cidade, nunca sentiu discriminação. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Quando se pensa na Alemanha, a primeira coisa que vem à mente é o passado do nacional socialismo, a extrema-direita etc. Eu sou um pouco supersticioso por isso não quero falar do que irá acontecer no futuro, mas de facto ainda não passei na Alemanha por uma única situação de discriminação. Estou aqui há quatro anos, e pessoalmente até agora não posso reclamar de nada.” Contudo, tem testemunhado como a cidade é discriminatória para com árabes e turcos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para Diamantino, o caminho para o debate sobre a consciência negra passa pela aprendizagem e pelo conhecimento da História.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Em Angola aprendíamos História Universal na escola – História da Europa, do Brasil, a muralha da China etc. Quando eu cheguei ao Brasil, notei que não havia a História da África em nenhum lugar. Eu tive de voltar a fazer o ensino médio no Brasil, e estudei numa Universidade conceituada [a Universidade Federal de Minas Gerais foi considerada num estudo recente como uma das melhores de toda a América Latina], por isso sei do que falo. E sobre África, não há nem uma pincelada, não se toca sequer nisso. Ora, o Brasil é o país com maior número de afrodescendentes do mundo. Como é que num país com uma das maiores taxas de população negra do mundo, não se estuda as suas origens? Como é que não há um interesse nisso?”&lt;br/&gt;Esta surpresa é tanto maior por serem tão estreitos os laços que unem Angola ao Brasil. “Os dois países têm relações de amizade muito fortes. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. A maioria dos escravos que foram para o Brasil vieram de Angola.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Essa falta de interesse na História de África – de Moçambique, de Angola, de Cabo Verde e dos demais PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], se essa história não for incluída nas escolas, como é que vai se reconhecer valor na história desse povo? Como vão olhar para as pessoas com normalidade, se nem lhes é reconhecido um passado? Todo o mundo diz, eu sou descendente de portugueses, eu sou descendente de italianos... o negro no Brasil não sabe de quem é descendente, se veio da Guiné, se é angolano. Muitos arquivos foram queimados depois da abolição da escravatura, para os brancos não terem de pagar indemnizações aos ex-escravos. Então as pessoas nem sabem de onde vieram. Devia dar-se mais ênfase ao estudo da História Africana, em todo o mundo, mas principalmente no Brasil.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;19.11.11</description>
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      <title>Os medos secretos dos alemães</title>
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      <pubDate>Wed, 2 Nov 2011 13:16:22 +0100</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/11/2_Os_medos_secretos_dos_alemaes_files/geheime%20angste_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object084.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:313px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;De onde virá a famosa “deutsche Angst”, o medo alemão?&lt;br/&gt;Para Gabriele Baring, terapeuta familiar e autora do livro “Os medos secretos dos alemães”, recentemente publicado, as causas têm de ser procuradas nos terríveis acontecimentos do século XX que, por não terem sido verbalizados nas famílias, deixaram profundas marcas nas pessoas. &lt;br/&gt;Numa apresentação na livraria Dussmann, perante uma sala tão superlotada que algumas pessoas tiveram de ficar à porta, Gabriele Baring falou longamente do modo como o não-dito atravessa as famílias ao longo das gerações, e condiciona os actos das pessoas. Sustentou que é um fenómeno que atinge toda a sociedade alemã (“e os que dizem que não sofrem nada disso são os mais atingidos”), dando exemplos de como se manifesta até no topo da pirâmide política, e tem efeitos sobre o destino da nação.&lt;br/&gt;“E os outros povos?” – é a primeira questão que, perante uma afirmação destas, ocorre ao ouvinte. Os russos também deviam sofrer da mesma Angst, ou não? Talvez a resposta resida no impedimento da verbalização: sendo certo que as duas guerras mundiais do século XX devastaram vários países europeus, e não apenas a Alemanha, este país impôs-se um silêncio sobre o seu próprio sofrimento que, combinado com sentimentos de culpa e de vergonha, criou um mal-estar profundo e geralmente ignorado, que se foi transmitindo de geração em geração. O silêncio, esse cancro: sobre a colaboração do pai ou do avô com o regime nazi, sobre as atrocidades da guerra (as sofridas, as infligidas a outros), sobre as violações em massa. A terapeuta afirma que é procurada por pessoas com uma enorme variedade de sintomas, e que, na grande maioria dos casos, se chega à conclusão que esses problemas radicam nos traumas que a guerra deixou. Curiosamente, os descendentes dos criminosos acusam sintomas semelhantes aos dos descendentes das vítimas. &lt;br/&gt;A palestra prossegue para o campo dos políticos: quantas das suas decisões não se destinarão, no fundo, a homenagear um pai que desapareceu demasiado cedo, morto em combate? Focou com mais detalhe o caso de Karl-Theodor zu Guttenberg, nascido numa família cujo nome transporta pesadas obrigações, neto de resistentes, criado longe da mãe: os seus erros idiotas poderiam ser obra de um impulso inconsciente para se libertar dos grilhões do passado familiar.&lt;br/&gt;Como curar esta Angst? Gabriele Baring propõe uma abordagem das constelações familiares. Servindo-se da teoria dos campos morfogenéticos de Rupert Sheldrake, vai buscar informações familiares transportadas nos genes ou nas células das pessoas. Explica, de modo simples, como funciona este trabalho com um grupo: uma pessoa escolhe, de entre aquele grupo, representantes para membros da sua própria família. Essas pessoas contam o que sentem (inclusivamente sintomas físicos), fazendo revelações surpreendentemente próximas da realidade dos familiares referidos, que o próprio sujeito central em muitos casos desconhecia. A verbalização e o confronto com alguns actores da história familiar, ainda que por interposta pessoa, permitem um reajustamento e uma libertação.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; Foto: (c) &lt;a href=&quot;http://miquidade.daportfolio.com/gallery/454769&quot;&gt;Ismael Miquidade&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O moderador pede-lhe que leia nova passagem do livro, e ela escolhe uma passagem difícil: o abuso sexual de crianças dentro da família. Defende que só um acordo tácito da mãe, mesmo que não consciente, permite ao pai ou companheiro abusar da criança. Fala de casos terríveis, em que este “contrato familiar” passa da avó para a mãe, e desta para a filha. E que só a verbalização e o tratamento destes traumas permite quebrar o ciclo vicioso que atravessa as gerações. &lt;br/&gt; “Nesse caso, teremos de alargar o banco dos tribunais, para que caibam todos os antepassados do réu?”, provoca o moderador. A autora sorri, e concorda: “Boa ideia!” Mas corrige logo a seguir, em tom sério: “Obviamente, cada pessoa responde pelos seus actos. O que não podemos é ignorar que somos muito menos livres do que pensamos.”&lt;br/&gt;No público levantam-se algumas vozes de resistência: - Mas que generalização disparatada! Está a insinuar que todos os alemães são doentes? - Sim, todos os alemães precisam de se confrontar com as histórias silenciadas da sua família, é a resposta. E fala de um conhecido seu, um excelente profissional, que terá lido mais de cem livros sobre Hitler, mas não conseguiu ler o diário que o seu avô escreveu durante a guerra. &lt;br/&gt;O moderador despede-se: prometeu à família que estaria em casa nessa noite, e – acrescenta, rindo - tem medo de perder o avião. O debate prossegue. O método da constelação familiar é muito elogiado. Pergunta-se: quantas das pessoas nesta sala conhecem a história da sua família? Nem metade dos presentes. Gabriele Baring insiste: é muito importante terem a coragem de se confrontar com essa história, vão ver que encontram pessoas muito simpáticas nas vossas raízes. Contudo, tenham cuidado com o terapeuta de constelação familiar, assegurem-se que é um bom profissional. Se não o puderem fazer comigo – remata, com um sorriso. &lt;br/&gt;A sessão termina, mas algumas questões ficam em aberto. Será este um problema exclusivamente alemão? E a sociedade portuguesa? Que traumas da guerra colonial atravessarão as gerações? Que traumas terão deixado os surtos de emigração, as terríveis feridas que abriram nas famílias? A simples fuga em massa, em meados do século passado, dos campos para o litoral urbano?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com um agradecimento especial a &lt;a href=&quot;http://miquidade.daportfolio.com/gallery/454769&quot;&gt;Ismael Miquidade&lt;/a&gt; pela gentil cedência da foto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;2.11.11</description>
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      <title>Três gerações ao serviço da cultura. Berlim e a família Freitas Branco</title>
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      <pubDate>Wed, 31 Aug 2011 16:44:40 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/8/31_Tres_geracoes_ao_servico_da_cultura._Berlim_e_a_familia_Freitas_Branco_files/Freitas%20Branco%202_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object064_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:196px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;É impossível falar-se da cultura musical portuguesa no século XX sem falar da família Freitas Branco, que ao longo de três gerações tem marcado de forma decisiva o panorama musical e cultural do país. O que poucos saberão é dos laços estreitos que unem esta ilustre família a Berlim. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O compositor Luís de Freitas Branco.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O primeiro a estabelecer esta ligação foi o compositor Luís de Freitas Branco (1890 – 1955), uma figura ímpar da vida cultural do século XX. Estudou em Berlim em 1910 com Engelbert Humperdinck e em 1911 foi para Paris, onde chegou a conhecer Claude Debussy. Foi professor do Conservatório Nacional desde 1916 e seu subdiretor entre 1919 e 1924, tendo sido posteriormente afastado desta instituição  em 1940 por razões pessoais e políticas – nomeadamente por ter denunciado a perseguição de que eram alvo os músicos italianos e alemães numa europa dominada pelas ditaduras fascistas, e por se ter incompatibilizado com a mentalidade retrógrada e de apoio ao regime salazarista que reinava naquela instituição. Continuou a sua atividade de divulgação cultural em palestras na Emissora Nacional e em tertúlias. O seu irmão, Pedro de Freitas Branco, foi um importante maestro, responsável pela divulgação em Portugal de compositores como Bártok, Stravinksy, Ravel e Prokofiev. Luís de Freitas Branco escreveu vários textos de musicologia, foi também jornalista musical e é uma figura incontornável do modernismo português. Fez várias obras orquestrais incluindo quatro sinfonias, poemas sinfónicos e concertos, para além de música de câmara e uma vasta obra para canto e piano, entre outros.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O seu filho foi o musicólogo e matemático João de Freitas Branco (1922-1989), um dos fundadores da Juventude Musical portuguesa e ativíssimo divulgador musical, não só através do programa de rádio “O gosto pela música”, que durou 29 anos, mas também através de inúmeros textos e livros, entre os quais uma História da Música Portuguesa. João de Freitas Branco foi diretor do Teatro Nacional de São Carlos entre 1970 e 1974 e Doutor Honoris Causa em Filosofia pela Universidade Humboldt de Berlim. Falava alemão fluentemente e sem sotaque, recorda o seu filho João Maria de Freitas Branco. “O meu pai tinha uma grande ligação à cultura alemã. Ele estudou desde pequeno na escola alemã em Lisboa, numa altura em que os alunos só estavam autorizados a falar em alemão. É preciso lembrar que estávamos em pleno período hitleriano. Aliás foi precisamente por isso que o meu avô Luís o tirou de lá. Foi quando o filho chegou a casa a cantar uma canção hitleriana – no dia seguinte, o meu avô foi à escola e anulou a matrícula”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O matematico e musicólogo João de Freitas Branco.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;João Maria de Freitas Branco (n. 1955), filósofo e grande divulgador musical na tradição familiar, é autor de inúmeros volumes de filosofia, alguns deles escritos em alemão. É o único colaborador português dessa monumental obra que é o Dicionário Histórico-Crítico de Filosofia Marxista, editado por Wolfgang Fritz Haug. Também ele conta com uma forte ligação a Berlim no seu percurso. &lt;br/&gt;“Em 1983, juntamente com um grupo de intelectuais da nossa praça, fui convidado a ir visitar a Alemanha de Leste. Entre as pessoas que nos acompanhavam estava uma das duas principais tradutoras e intérpretes de espanhol e português de [Erich] Honecker, e que trabalhava na maior empresa de tradução da RDA – a Intertext. Ela perguntou-me se eu não estaria interessado em ir para a Alemanha para substituir outro intelectual meu amigo, o Mário Vieira de Carvalho, que se ia embora.” A Intertext, que ainda existe, traduzia livros de todas as áreas e também manuais universitários, visando fornecer material escolar aos muitos estudantes dos países de língua oficial portuguesa que iam estudar para a RDA. Precisavam de alguém com um certo nível cultural para ser redator final dessas edições. João de Freitas Branco aceitou o convite, na condição de poder continuar a exercer o seu trabalho como filósofo. Foi assim que em 1984 se mudou com a família para Berlim, ocupando o cargo de investigador de Filosofia na Universidade Humboldt.&lt;br/&gt;O trabalho na empresa de tradução durou apenas um ano, mas a investigação universitária ocupou-o até 1991, ano em que regressou a Portugal. Foi em Berlim que acabou uma das suas obras mais importantes, uma investigação sobre o pensador português António Sérgio e a sua ligação com o pensamento alemão, em particular com Kant. “O ambiente em Berlim foi preciosíssimo, aquelas bibliotecas possibilitaram-me escrever em condições que aqui em Lisboa jamais conseguiria. É ainda hoje a minha principal obra do ponto de vista estritamente filosófico”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para além do trabalho na universidade, João Maria foi também correspondente cultural do JL [Jornal de Letras, o maior jornal de Literatura em Portugal]. “Para mim foi importantíssimo ter estado acreditado como jornalista, pois isso permitia-me fazer com toda a liberdade a vida dos dois lados da cidade. Eu tinha uma coisa chamada Grenzempfehlung [um salvo-conduto], o que hoje em dia é algo de bizarro. Era uma coisa preciosa, porque por exemplo o meu carro não podia ser revistado pela STASI. Só se houvesse uma situação grave de denúncia é que o carro poderia ser detido”. Mas isso nunca aconteceu. “Eu devo ter sido com certeza o cidadão português que mais vezes passou aquela fronteira – cheguei a passar seis vezes no mesmo dia o Check Point Charlie!”, recorda João Maria de Freitas Branco, que chegou a apresentar Berlim Ocidental a muitos cidadãos da RDA.&lt;br/&gt;Dos sete anos que passou em Berlim, uma das recordações mais vivas é a do bom funcionamento do equipamento cultural. “Uma coisa muito marcante foi poder trabalhar na biblioteca de Berlim Ocidental, que é um espaço arquitetónico impressionante, para além do conteúdo dos livros. Também trabalhei muito no Iberoamerikanisches Institut, que é uma biblioteca extraordinária. Eu tinha em Berlim mais acesso às fontes da cultura portuguesa do que tinha em Lisboa, indiscutivelmente.” Herbert von Karajan à frente da Philarmonie, e a enorme quantidade de espetáculos de qualidade como os do Berliner Ensemble, são outras das boas recordações do filósofo, bem como o grau de cosmopolitismo da cidade, que permitia conhecer gente de todo o mundo. “Eu tive por exemplo uma relação de amizade com um físico nuclear do Afeganistão, o que noutras circunstâncias teria sido impossível.” E sobretudo as condições de trabalho, que considera terem sido inesquecíveis: “Nos anos 80, o departamento de Filosofia da Universidade Humboldt funcionava na antiga casa do [filósofo alemão Friedrich] Hegel. Eu até brincava com os meus colegas, dizendo que se ouvia os passos do Hegel quando estávamos a falar da obra dele.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O filósofo João Maria de Freitas Branco.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O muro que dividia a cidade marcou-o de forma indelével. “Embora já conheça Berlim depois da queda do muro, devo confessar que a divisão da cidade está sempre na minha cabeça. Mesmo a falar digo sempre que estou em West ou Ost Berlin, a divisão está lá sempre. Eu sei exatamente onde estava o muro, mesmo que hoje a cidade esteja completamente mudada.” E conta um exemplo que ilustra os absurdos dessa divisão. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Um colega meu investigador da Humboldt, cidadão da RDA, estava a fazer um trabalho sobre um pensador espanhol, algo relacionado com a fundamentação filosófica do fascismo. Ele pediu um visto para ir visitar uma biblioteca em Berlim Ocidental e este foi-lhe concedido, mas quando o recebeu ficou aterrorizado porque a passagem para o lado de lá psicologicamente era uma coisa brutal. As pessoas tinham medo de circular nas ruas de um mundo capitalista”. O alemão pediu a João Maria que o acompanhasse na viagem, de braço dado. “Quando passámos a Friedrichstrasse ele entrou num silêncio e ficou uma meia hora bloqueado, só conseguia dizer uns monossílabos, estarrecido. Este não é um caso único. Eu tive experiências com outros amigos, em que a reação foi idêntica: uma paralisia.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De regresso a Portugal, numa tentativa de travar o que considera ser o progressivo esvaziamento da vida artística portuguesa, João Maria de Freitas Branco criou a Associação Ginásio Ópera, da qual é sócio fundador. Esta associação tem por objetivos promover o estudo, o ensino e a divulgação da ópera, numa perspetiva aberta e interdisciplinar, visando também a promoção de jovens intérpretes e a conquista de novos públicos. Uma tarefa árdua, que o filósofo encabeça com maestria. Alguns eventos passados incluem a estreia absoluta em Portugal da ópera “Der Kaiser von Atlantis” de Viktor Ullman, para além de inúmeros concertos, galas, recitais e palestras. Em 2011, ano em que se celebraram os seus dez anos de existência, o Ginásio Ópera apostou numa mega produção e apresentou uma &lt;a href=&quot;http://www.festadoavante.pcp.pt/2011/gala-%C3%B3pera&quot;&gt;Gala de Ópera&lt;/a&gt; ao ar livre, integrada na Festa do Avante e que contou com seis solistas, dois coros e uma orquestra sinfónica. Com uma afluência de cerca de 25 mil pessoas, foi o maior espetáculo de música erudita a decorrer em Portugal em 2011. Num país assolado pela crise, João Maria de Freitas Branco faz questão de ripostar com programação cultural de qualidade. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É algo que corre nas veias da família.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto de Inês Thomas Almeida.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;30.08.2011</description>
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      <title>Memória do esquecimento: a invisibilidade da História negra no Rio de Janeiro</title>
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      <pubDate>Tue, 30 Aug 2011 21:59:06 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/8/30_Memoria_do_esquecimento__a_invisibilidade_da_Historia_negra_no_Rio_de_Janeiro_files/Memoria%20do%20Esquecimento_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object086_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:163px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;O antropólogo André Cicalo, investigador da Universidade Livre de Berlim,  mostra no documentário “Memórias do Esquecimento” uma verdade paradoxal: o Rio de Janeiro, cidade que foi o maior porto negreiro do mundo até parte do século XIX, não apresenta atualmente traços significativos do seu passado escravo. Empurrada para a periferia, a população pobre afro-brasileira é comodamente silenciada em nome de uma “democracia racial” que enaltece o mito de uma mestiçagem supostamente conseguida no Brasil. O antigo lugar das fossas comuns dos escravos mortos antes da venda (o Cemitério dos Pretos Novos) está totalmente coberto de casas e é ignorado pelo Estado, que não tem o menor interesse em resgatar a história escrava do local, seja com um museu ou com uma simples lápide.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resumo&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este ensaio  propõe  discutir a escassa visibilidade da história e da memória escravas na paisagem urbana do Rio de Janeiro, especialmente no contexto de processos históricos de reconversão urbana, ideologias nacionais de mestiçagem e políticas afirmativas recentes a favor da população afro-brasileira. As considerações aqui apresentadas emergiram do  meu processo de investigação etnográfica audiovisual no centro do Rio de Janeiro e particularmente no bairro portuário de Gamboa, que foi o maior porto de tráfico de escravos no mundo até boa parte do século XIX. Dada a ‘invisibilidade’ geral dessa memória, pergunto-me de que forma se pode abordar hoje em dia essa ‘ausência’ de forma visual, de modo a não se transformar numa amnésia permanente no futuro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Numerosos autores como Conde¹, Caulfield² e Abreu³ descreveram o processo de reconversão urbana do centro do Rio de Janeiro na primeira metade do século passado. O centro do Rio, na visão dos seus governantes, não era uma região digna de uma cidade com grandes aspirações no contexto socioeconómico internacional, em especial devido aos seus problemas higiénicos e sociais. Era ali que se concentrava a população pobre em cortiços⁴ amontoados de gente, com altos índices de criminalidade, prostituição e surtos de doenças. Para além disso, o centro do Rio contava com um porto pouco utilizável e com uma geografia que dificultava o desenvolvimento urbano, devido às suas montanhas, lagoas e pequenas ilhas. O projeto de saneamento físico e social elaborado pelo governo reproduzia sensivelmente a arquitetura de Haussmann em Paris: a cidade tinha de ser não apenas bela e moderna, como também tinha de “respirar” através de grandes espaços abertos, dado que a aglomeração de gente era uma das maiores causas de doenças⁵. A transformação desenvolveu-se através dos seguintes pontos e fases:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;1)	Transformar o Rio de Janeiro numa cidade maravilhosa, decalcando o estilo de Paris. Foram projetadas avenidas elegantes, praças, parques, teatros, monumentos e edifícios de luxo.&lt;br/&gt;2)	Criar uma infraestrutura rodoviária eficiente e digna de uma capital moderna.&lt;br/&gt;3)	Deslocar a pobreza da cidade até à periferia. Foram demolidos blocos inteiros do centro, onde se encontrava a população pobre. &lt;br/&gt;4)	Num segundo momento, o ideal de “beleza” e “saúde” foi substituído pelo ideal de  “prático” e “racional”: boa parte dos edifícios luxuosos construídos em princípios do século XX, foram posteriormente demolidos e no seu lugar construíram-se arranha-céus e incrementou-se o sistema de comunicação urbana. Por fim afastou-se – de maneira violenta - a população pobre e negra; demoliram-se colinas inteiras, cobriu-se com terra o porto e as lagoas; construíram-se túneis e transformou-se boa parte do centro histórico em área de negócios⁶. Este processo, que continuou sob a administração de Carlos Lacerda nos anos 1960, por um lado incrementou a criação de favelas (bairros ilegais) também nas colinas mais próximas do centro, já que uma parte da população se negava a mudar-se para a periferia da cidade - francamente longe dos locais de trabalho – e por outro contribuiu para a imigração rumo à capital desde outras partes do Brasil. Ainda que esta nova fase se tenha consumado através das ideias de arquitetura comunista de Niemeyer, a divisão do espaço público foi mantida em ‘privado’. Os edifícios ‘modernos’ estavam programados de uma forma claramente classista, definindo entradas e elevadores de serviço e espaços internos segregados; por exemplo os pequenos quartos das criadas, usualmente pouco iluminados, entre a área da lavandaria e da cozinha.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste processo, a zona portuária sobreviveu fisicamente mas permaneceu totalmente isolada do resto dos bairros residenciais. Com a gradual decadência do porto e a promiscuidade social  nessa área, a burguesia local começou a migrar em direção à atual ‘Zona Sul’ do Rio de Janeiro, cujos bairros mais conhecidos são Copacabana e Ipanema. Outros habitantes voltaram aos seus países de origem (especialmente Itália, Portugal e Espanha). Favoreceu-se assim a conexão do centro da cidade com os bairros da zona sul, enquanto que os subúrbios e outras áreas periféricas, cuja população era maioritariamente mestiça e negra, permaneceram mais isolados⁷. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Como bem sublinha Campos⁸, este processo de deslocamento social não se pode ler sem se fazer uma consideração em termos de relações raciais. O saneamento da cidade coincidiu com o movimento centrífugo forçado da população negra e das suas expressões culturais rumo à periferia ou às favelas que se formaram nos arredores montanhosos das áreas nobres e centrais. Esta dinâmica, segundo Maite Conde, pode observar-se nos primeiros filmes documentários sobre o Rio de Janeiro. A princípios do século passado houve uma explosão de filmes que documentavam a transformação da cidade numa capital moderna e global. Os sectores negros e populares apareceram de forma marginal nos primeiros filmes mudos com as suas expressões folclóricas afro-brasileiras (danças, Carnaval), no entanto, desapareceram de cena quando cresceu o interesse em projetar uma imagem mais eficiente e ‘europeia’ do Rio de Janeiro. Robert Stam⁹ e Araújo¹⁰ explicam também como é que, com o desenvolvimento do cinema brasileiro falado, os negros e indígenas tenham sido durante muito tempo interpretados por atores brancos, marcando uma tendência já presente nos Estados Unidos (veja-se o conceito de blackface nesse país). Este facto mostra por si só aspetos de como a participação social de ‘negros’ e indígenas se tem desenvolvido ambiguamente através de processos de invisibilidade e segregação; com efeito, sempre que estes grupos se tornaram mais visíveis no âmbito público e cinematográfico, foram frequentemente representados e caricaturados por outros. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Importa assinalar que o panorama aqui descrito desenvolveu-se simultaneamente com o fortalecimento da ideologia de democracia racial. A partir dos anos 20 e 30 do séc. XX, as ideologias eugénicas e de inferioridade racial do começo do século foram substituídas por uma nova visão. Autores como Gilberto Freyre¹¹ começaram a elogiar a mestiçagem brasileira como um fator de força e superioridade para o Brasil. Os portugueses teriam tido êxito em algo que franceses e ingleses não tinham conseguido: estabelecer-se solidamente nos Trópicos. A arma dessa adaptação (Lusotropicalismo) foi a capacidade que os portugueses teriam de cooperar com os povos ameríndios e africanos, já que estariam mais acostumados aos climas húmidos e à  interação com esse meio ambiente. Essa “cooperação” entre “raças” teria resultado num processo de miscigenação que não seria só “racial” mas também “sexualizado”; a mestiçagem Freyriana refere, com efeito, a união do “homem” português e as voluptuosas “mulheres” indígenas e africanas que “turvavam o seu sono”. Ainda que as teorias e políticas eugénicas tenham sobrevivido sensivelmente pelo menos até aos anos 50 (por exemplo favorecendo a imigração europeia), as ideias de Freyre tornaram-se numa ideologia da unidade e orgulho nacionais. O Brasil apresentava-se, sobretudo a partir da ditadura militar de Getúlio Vargas, nacional e internacionalmente como um ‘paraíso racial’. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Segundo Conde, as aspirações de modernidade para um país com um passado colonial escravo, juntamente com a ideologia da democracia racial, apressaram os governantes a cancelar qualquer traço físico e arquitectónico do sistema esclavagista¹². No entanto, o efeito principal dessa política não foi eliminar o racismo, mas sim silenciá-lo e afastá-lo do debate público e, parcialmente, da face da história nacional. Neste sentido, a expressão “democracia racial” usa-se hoje mais no sentido da sua negação: um sistema racista que nega o racismo e é suficientemente capaz de esconder as suas provas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tia Lúcia, filmada pelo autor, entrando na sua casa no Morro do Pinto (Julho 2008).&lt;br/&gt;Foto (c) André Cicalò.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No começo do meu trabalho de campo, surpreendeu-me que o Rio de Janeiro, o maior porto negreiro do mundo até parte do séc. XIX, não apresentasse traços significativos do seu passado escravo. Para explicar esta situação, não era suficiente observar que a maior parte do centro histórico carioca tinha sido derrubada. Efetivamente, naquilo que resta da parte velha da cidade, os traços do passado escravo tão pouco emergem significativamente. A vida dos escravos no centro do Rio de Janeiro (incluindo a chegada, a venda e o trabalho forçado) está gravada nas pinturas de Debret e Rugendas ou em arquivos biblio-históricos¹³. Está porém ausente nos monumentos e na leitura visual do espaço urbano. No Rio de Janeiro não há as senzalas¹⁴ e os pelourinhos¹⁵ que em contrapartida são magnificados em Salvador da Bahia, uma cidade que tem utilizado o passado escravo não só para construir a sua identidade como também para fins comerciais. Os lugares do Rio de Janeiro colonial não falam do sistema esclavagista, mas sim das famílias brancas e ricas que se serviram dele. Um exemplo é a zona em volta da Praça XV, onde sobrevive até aos dias de hoje o sector mais nobre do centro histórico carioca. Os painéis explicativos dos monumentos não nos contam muito sobre a escravatura, exceto que enfatizam a sua abolição por membros da família real. No centro do Rio também se encontra um escondidíssimo, pequeno e decadente ‘Museu do Negro’ na Igreja do Rosário, cuja coleção é extremamente pobre e limitada, sem objetos originais e informação atualizada. Também surpreendentemente escassas são as referências à escravatura no Museu Histórico Nacional, o que confirma o poder mistificador da democracia racial. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na zona portuária de Gamboa, que representou o cerne do comércio escravo no Rio antigo, a visibilidade dessa história é igualmente mínima. Os locais de venda de escravos não se encontram cartografados nem explicados. Da mesma maneira, nunca se empreendeu uma escavação arqueológica ao Cemitério dos Escravos, citado por várias fontes históricas e localizado acidentalmente por um mero acaso em 1996, durante as obras de remodelação numa casa privada. O Centro Cultural José Bonifácio, o único Centro Cultural dedicado à cultura afro-brasileira, administrado pelo município, tão pouco escapa desta dinâmica: este Centro tem o nome de um notável português,  e as placas oficiais nem sequer o definem como afro-brasileiro; as suas atividades são muito escassas e fragmentárias em relação ao  tamanho do espaço; tão pouco houve sensibilidade por parte do Governo Municipal em colocar diretores negros. Entre os trabalhadores deste Centro Cultural reina uma falta de informação acerca da identidade do lugar. Vários entrevistados disseram-me erradamente que ‘José Bonifácio’ era negro; outros consideram que o Centro não devia ser dedicado à cultura Afro, mas sim a todas as ‘raças’ e ‘culturas’ que formam o Brasil. Em Maio de 2011 fui informado que este Centro Cultural fechou por motivos de reforma estrutural. Há um desconhecimento total por parte da população local, e um mistério absoluto por parte das instituições, sobre a futura função do edifício. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É importante sublinhar que, mesmo se a zona portuária de Gamboa teve um papel significativo no processo do comércio escravo, este encontra-se muito menos representado no Rio do que noutras cidades brasileiras onde a tradição do tráfico foi muito menor, como por exemplo Belo Horizonte e São Paulo; inclusive está menos representado do que em cidades inglesas que tiveram ligações com este tipo de comércio sem ser objeto da importação massiva de escravos. Em Liverpool e Bristol, por exemplo, há rotas museológicas significativas sobre a escravatura e a história negra, muito mais que no Rio de Janeiro. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O contexto até agora descrito torna-se ainda mais importante à luz do seu entrelaçamento com dois fenómenos:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;1) o debate sobre a introdução recente de ações afirmativas raciais no Brasil, e de direitos diferenciais para grupos étnicos e raciais na América Latina, como medida para reequilibrar as desigualdades que tradicionalmente afetam estes grupos na redistribuição de recursos públicos. O debate à volta dessas ações tem sido enorme. Na opinião de alguns pensadores e parte da opinião pública¹⁶ políticas de tipo ‘racial’ dividiriam a sociedade brasileira de forma bipolar ‘branco/negro’, segundo um modelo tipicamente estrangeiro ‘imposto’ desde os Estados Unidos de uma forma mais ou menos imperialista¹⁷. Neste sentido, as ações afirmativas de tipo racial não só significariam admitir abertamente a presença de discriminação racial num país que construiu muito do seu orgulho nacional sobre a ‘mestiçagem’ e a ausência de modelos de segregação racial oficial, como aconteceu nos Estados Unidos e na África do Sul,  como representariam também algo meramente antinacional.&lt;br/&gt;2) A Gamboa está a ser alvo de um programa massivo de investimento , conhecido como o projeto ‘Porto Maravilha’, com o objetivo de transformar esta zona degradada e esquecida do Rio de Janeiro num espaço residencial e comercial para o turismo e a classe alta, parecido àquilo que tem acontecido noutras cidades do mundo (Barcelona, por exemplo), com grandes dúvidas sobre o impacto deste processo de gentrificação sobre a população menos abastada e sobre o esquecimento da história escrava no Rio de Janeiro. Com efeito, o projeto do ‘Porto Maravilha’ não apresentou nenhum elemento para a valorização da história escrava, nem sequer para fins turísticos.  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estes dois processos estão fortemente relacionados com a visibilidade/invisibilidade da escravatura na época moderna, com a sua simbologia potencial para o idioma da paisagem urbana, com o tradicional ‘silêncio’ que Brasil reserva à questão negra e racial, e com a eventual reformulação de identidades históricas coletivas consideradas perigosas para a harmonia nacional.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste contexto, um estudo visual da memória histórica negra no centro do Rio de Janeiro só pode ser feito em termos de ‘ausência’. Uma ausência que é mais emblemática da história da democracia racial do que da memória histórica negra. Dar visibilidade à história da escravatura é algo que está aparentemente em antítese com a preservação de um orgulho nacional construído sobre a mestiçagem, ignorando a possibilidade de reconstruir uma nova identidade comum sobre a base de uma tragédia coletiva partilhada. A aceitação desta abordagem, como se vê, não é tão simples; pelo menos à partida, parece servir para fomentar mais as divisões e o ódio do que a compreensão e a solidariedade nacional. A referência bibliográfica mais significativa que encontrei sobre este tema não é relativa à América Latina mas sim à África do Sul. Annie Coombes¹⁸, no seu ‘History after Apartheid: Visual Culture and Public Memory in a Democratic South Africa (História depois do Apartheid: Cultura Visual e Memória Pública numa África do Sul Democrática) mostra como monumentos emblemáticos do orgulho nacionalista das comunidades brancas se tornaram símbolos coletivos de uma tragédia para toda a sociedade, e são hoje em dia altamente significativas para negros (e brancos) como sendo um aspeto crucial da sua história. A fase pós-Apartheid na África do Sul promoveu também estratégias museológicas que têm sido altamente criticadas por mostrar o sofrimento e a tragédia vivida pelas comunidades negras até 1994. Entre elas, reproduções dos interiores das casas e dos lugares de trabalho, bem como as expressões culturais produzidas num contexto de subordinação institucional com poucas possibilidades de escape. Muitos museus em Joanesburgo podem ser interpretados como memória pública do terror; há secções inteiras dedicadas à documentação em jornais e documentos audiovisuais de homicídios executados pela polícia, repressão do movimento de contestação das massas negras. Os mesmos recursos jornalísticos e jurídicos que no passado serviam para justificar a supremacia branca e desanimar a oposição, são hoje suportes que enfatizam a tragédia nacional. Há informações e imagens chocantes, que perturbam o visitante e promovem, simultaneamente, uma reflexão para evitar que o ocorrido se repita no futuro. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esta nova abordagem institucional na África do Sul é muito diferente daquilo que se passa no Rio de Janeiro. A diferença não se deve só à diversidade do contexto histórico e político dos dois países, mas sim à vontade institucional de fazer uso de um facto historicamente dramático para reconstruir a memória coletiva e a identidade nacional sobre aspetos que têm sido tradicionalmente ocultados sob censura governamental. Por outro lado, é importante sublinhar que os monumentos do Apartheid não foram destruídos nem obliterados pelo novo sistema democrático, mas sim  enriquecidos e reinterpretados para dar ênfase a uma história injusta e  “domesticar” o sistema simbólico do Apartheid¹⁹. A parte visual dos monumentos nacionais sul-africanos preexistentes tem vindo a ser reprocessada na tentativa de contextualizar o passado e “talvez neutralizá-lo através da objetivação das suas representações”²⁰. Esta estratégia, segundo Coombes, pode ter o efeito paradoxal de “re-contextualizar simbolicamente aspetos do passado, ao mesmo tempo que abre o olhar sobre os processos através dos quais certas histórias são vividas no domínio público”²¹. Pese embora as críticas recebidas nesse mesmo país onde parte da opinião pública (inclusive Nelson Mandela) era mais favorável a ‘esquecer’ com vista à reconciliação, Coombes nota que estratégias similares, se tivessem sido implementadas, correriam o risco de favorecer uma ‘amnésia conveniente’ acerca do combate pela democracia e os sacrifícios feitos durante a luta de libertação²².  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O documentário “Memories on the Edge of the Oblivion” pode ser visto neste &lt;a href=&quot;http://www.socialsciences.manchester.ac.uk/disciplines/socialanthropology/visualanthropology/archive/phdmphil/&quot;&gt;link&lt;/a&gt;. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O autor André Cicalov fará uma palestra sobre este tema no dia 5 de dezembro de 2012 no Lateinamerika Institut da Universidade Livre de Berlim, às 17h45, integrado no Colóquio &lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/763356E4-C1BC-4FCD-AB80-BDA99F5B207D&quot;&gt;Afro-Indigenous  Cultural Heritage&lt;/a&gt; .&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Excerto do ensaio “Memórias de um esquecimento: questionando as invisibilidades da História negra na paisagem urbana do Rio de Janeiro”, de André Cicalò&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nota introdutória e tradução do original em espanhol: Inês Thomas Almeida&lt;br/&gt;_______________________________________________&lt;br/&gt; ¹Conde, Maite. 2007. Early Film and the Reproduction of Rio. In Visualising the City, edited by Alan Marcus and Dietrich Neumann. London/New York:Routledge. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ²Caulfield, Sueann. 2000. In Defense of Honor: Morality, Modernity, and Nation in Early Twentieth-Century Brazil. Durham: Duke University Press.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ³Abreu, Mauricio de Almeida. 1987. Evolução Urbana do Rio de. Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/Jorge Zahar Editor.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁴Edifícios-colmeias onde tradicionalmente se amontoam as classes sociais mais baixas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁵O primeiro promotor dessa reconversão foi o engenheiro Francisco Pereira Passos, prefeito entre 1902 e 1906.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁶Needell, Jeffrey. 1995. “Rio de Janeiro and Buenos Aires: Public Space and Public Consciousness in Fin-de-Siècle Latin América”. Comparative Studies in Society and History 37(3):519-40.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁷(Goldstein, 2003; Needell, 1995; Holston, 1989) Goldstein, Donna. 2003. Laughter Out of Place: Race, Class, Violence and Sexuality in a Rio Shantytown. Berkeley: University of California Press;  Holston, James. 1989. The Modernist City: An Anthropological Critique of Brasília. Chicago: University of Chicago Press. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁸Campos, Andrelino. 2006. O Planejamento Urbano e a Invisibildade dos Afrodescendentes. Discriminação étnico-racial, intervenção estatal e segregação sócio-espacial na cidade do Rio de Janeiro. Tesis Doctoral. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ⁹Stam, Robert. 1997. Tropical Multiculturalism: A Comparative History of Race in Brazilian Cinema and Culture. Durham: Duke University Press.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁰Araújo, Joel Zito. 2000. A Negação do Brasil. O Negro na Telenovela Brasileira. São Paulo: SENAC.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹¹Freyre, Gilberto. 1954. Casa-Grande &amp;amp; Senzala. Rio de Janeiro: José Olympio; Freyre, Gilberto. 1959. New World in the Tropics: The Culture of Modern Brazil. New York: Knopf.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹²(Conde, 2007).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹³(Karasch, 1987; Coracy, 1988); Karasch, Mary. 1987. A vida dos Escravos no Rio de Janeiro 1808-1850. Schwarcz ltda; São Paulo.  Coracy, Vivaldo. 1988. Memórias da Cidade do Rio de Janeiro. 3 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁴Vivendas-prisão dos escravos.&lt;br/&gt; ¹⁵Colunas em lugares públicos onde se fustigavam escravos e criminosos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁶Fry, Peter; Yvonne Maggie; Marcos Chor Maio; Simone Monteiro y Ricardo Ventur Santos (ed.) 2007. Divisões perigosas: políticas raciais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁷Bourdieu, Pierre y Loïc Wacquant. 1999. “On the cunning of imperialist reason” en Theory, Culture and Society 16 (1):41–58.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁸Coombes, Annie. 2003. History after Apartheid: Visual culture and Public Memory in a Democratic South Africa. Durham: Duke University Press.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ¹⁹(Coombes, 2003:53)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ²⁰(Coombes, 2003: 295)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ²¹(Coombes, 2003:295)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; ²²(Coombes, 2003:162)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;9.08.2011</description>
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      <title>Senhoras de todos os géneros e senhores: o Poliamor em Berlim</title>
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      <pubDate>Mon, 29 Aug 2011 09:05:34 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/8/29_Senhoras_de_todos_os_generos_e_senhores__o_Poliamor_em_Berlim_files/Bildschirmfoto%202011-10-14%20um%2009.17.45.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object087.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:83px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;“Senhoras de todos os géneros e senhores, bemvindos”. Assim diz o filme “Schlampenau” (em português, algo como “O vale das galdérias”), realizado e produzido pela portuguesa Ann Antidote, pesudónimo pelo qual é conhecida na cena berlinense. Dedica-se a tempo inteiro ao ativismo pela aceitação, reconhecimento e divulgação de uma outra ideia de sexualidade, que escapa aos padrões tradicionais. “Divulgar a ideia, para alguns aberrante, de que poliamor, queer, ou sex-positive são modos de vida válidos e merecedores de respeito”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O documentário “Schlampenau” mostra um campo de férias, realizado anualmente, para mulheres que não se revêm na monogamia como o único modelo válido de relações amorosas. No filme, as participantes do acampamento falam sobre “poliamor, a iniciativa do acampamento, feminismo, identidades queer e os seus sonhos para o futuro”. O filme é passado regularmente em festivais por toda a Alemanha.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Outra das atividades é o Tango Vadio, uma ideia que difunde em Berlim e em Portugal. São aulas de tango, dirigidas a “pessoas e pares de todos os géneros”. Baseia-se no conceito de tango queer (para pares fora do padrão homem/mulher) e dança gender-neutral, ou seja, onde “o papel de condutor/conduzido não é automaticamente atribuído em função do género”, e onde se aceita que “há mais géneros para além de homem e mulher, e que há inúmeras possíveis combinações de pares dançantes de acordo com o gosto”. Sobretudo,  é “um espaço seguro onde pessoas com as mais diversas identidades se sintam bem, e as identidades fora da norma não sejam postas em causa nem em dificuldades”. Sem clichés.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A segurança é de resto uma das grandes preocupações deste movimento, que se bate por um lado pela divulgação, por outro pela proteção da identidade dos envolvidos. As redes de apoio e intercâmbio sobre  estes modelos de sexualidade alternativa existem em grande parte através da internet, numa série de blogues que abordam os temas do poliamor, polifidelidade, amor livre, relações abertas e identidades queer. Mas também há debates e discussões em carne e osso, promovidos nos encontros “Poli” para mulheres e transgender, que se realizam na segunda quarta-feira de cada mês, num local variável revelado por email aos interessados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ann Antidote, DJane e divulgadora do poliamor em Berlim. Foto (c) Ann Antidote.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As atividades desta portuguesa que reside na Alemanha há oito anos não se ficam por aqui. Uma das suas próximas atuações será como DJane na festa do PorYes – Festival Europeu de Pornografia Feminista, a decorrer no dia 15 de Outubro no Hackesche Höfe Kino em Berlim. O Festival pretende ser um contraponto à pornografia machista mainstream, e segundo a organizadora Laura Mérrit, “mostrar que é possível fazer filmes ponográficos sexy, divertidos e com uma imagem positiva da mulher, que possam ser disfrutados tanto por mulheres sozinhas como por casais, e dar-lhes a sensação de estarem em harmonia consigo próprias e com a sua sexualidade”. Para além da entrega de prémios a filmes selecionados, haverá uma performance ao vivo intitulada &lt;a href=&quot;perma://BLPageReference/29C891A3-24E4-41EB-8104-BBB98B47E5EF&quot;&gt;“Gay Love  Story”&lt;/a&gt;, realizada pelo francês Kaj Garnellen e pelo português Lun Ario, um dos parceiros de vida de Ann Antidote e também ele ativista na causa do poliamor. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O português LunArio, um dos performers no Festival Europeu de Pornografia Feminista. Foto (c) LunArio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tango queer, poligamia, filmes pornográficos feministas. A vida vivida de outra maneira, questionando padrões e procurando afinal uma normalidade dentro da exceção.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O bom desta cidade, é que há espaço para toda a gente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sites relacionados:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Documentário Schlampenau: &lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.polygarchutopia.blogspot.com/&quot;&gt;http://www.polygarchutopia.blogspot.com&lt;/a&gt;/&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tango Vadio:&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://tango-vadio.blogspot.com/&quot;&gt;http://tango-vadio.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Página de Ann Antidote: &lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://lube-nomads.blogspot.com/&quot;&gt;http://lube-nomads.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Poliamor em alemão:&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.diepolytanten.de.tc/&quot;&gt;www.diepolytanten.de.tc&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Poliamor em português:&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://polyportugal.blogspot.com/&quot;&gt;http://polyportugal.blogspot.com&lt;/a&gt;/&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://laundrylst.blogspot.com/&quot;&gt;www.laundrylst.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Email de contato para os encontros “poli”:&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://diepolytanten.hostzi.com/events/polystammtisch-berlin@gmx.de&quot;&gt;polystammtisch-berlin@gmx.de&lt;/a&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Texto: Inês Thomas Almeida&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;13.10.2011</description>
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      <title>Gentrificação e evacuações forçadas</title>
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      <pubDate>Sun, 28 Aug 2011 14:16:49 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/8/28_Gentrificacao_e_evacuacoes_forcadas_files/Kapitalismus_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object088.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:216px; height:163px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Em Berlim o processo conhecido como gentrificação tem alterado a paisagem urbana e o tecido social dos bairros, e nem sempre é feito de forma pacífica. Sandro Cândido Marques analisa as bases do problema sob o ponto de vista das Cidades e das Pessoas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No processo conhecido por Gentrificação concorrem duas realidades sempre distintas. Por um lado há o aspecto relacionado com as pessoas. Por outro temos a cidade. Sendo um processo desde há muito conhecido, talvez tão antigo como ambos os fatores envolvidos, isto é, desde que há pessoas a viver em cidades, os ditos cidadãos, talvez nada mais de relevante haja a acrescentar à discussão. Será?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tanto no que às pessoas diz respeito como no que concerne às cidades, os fenómenos sociais são entendidos como complexos e totalmente embrenhados numa rede de outros problemas de difícil compreensão. Uma coisa é certa, a Gentrificação é real e está na base de muitos conflitos, agora e desde sempre. Porque de duas componentes da vida social se trata, melhor será abordá-las uma de cada vez.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As Cidades&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para os defensores da Gentrificação como um processo de renovação das cidades, mais concretamente dos seus bairros históricos, o processo é fomentado graças à reabilitação como um valor em si mesmo, uma modernização que se procura ou uma revitalização por que se anseia. Entre os seus patrocinadores estão desde logo os representantes eleitos pelas comunidades. Associados a estes estão aqueles que encaram uma intervenção no tecido urbano como oportunidades de negócio. A montante estão também as pessoas que vão ocupar, por substituição, os lugares antes degradados, obsoletos e decadentes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sophie Gips Höfe em Berlim Mitte. Foto (c) Jakob Finke.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Numa definição simplista trata-se da substituição de um estrato social por outro mais rico, mais escolarizado e mais integrado na sociedade actual. Pessoas dos tempos modernos pois modernos são sempre os tempos em que se projeta uma sociedade. No início do processo está, no entanto, uma aliança entre responsáveis políticos e proprietários do espaço privado. Uns vêem uma fonte de receita para a comunidade através de novas taxas cobradas quer a quem reconstrói, quer a quem reocupa o espaço antes degradado. Os outros respondem e pressionam os eleitos para que as condições para gerar valor sejam possíveis e céleres. Nesta perspectiva, todos ganham alguma coisa e por isso parece um processo abençoado e difícil de parar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E as Pessoas?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por se tratar de um processo de substituição de pessoas por pessoas, temos então duas posições distintas e por vezes fonte de conflito. Aqueles que sentem a sua casa em constante degradação ou o seu bairro a definhar sentem ainda as suas vidas a caminhar em direção ao passado. Não que (as vidas) tenham parado mas porque se degradam tanto ou mais do que as casas em que habitam. Tal como, em nossas casas, vamos acumulando objectos e memórias do passado e com isso criamos a nossa identidade, nos bairros acontece o mesmo. As relações que se estabelecem ao longo do tempo entre vizinhos, entre clientes ou fregueses com lojistas e prestadores dos mais diversos serviços, são uma vida de memórias que se vão acumulando. Reflectem-se, depois, na identidade de cada bairro e nas suas interdependências com outros bairros. Cria-se, assim, uma identidade comum entre os cidadãos de cada cidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para melhorar a forma como nos relacionamos numa comunidade, vamos criando normas que refletem a identidade comum. Que tipo ou dimensão de casas preferimos, como as queremos por dentro e por fora, o que desejamos ligar de forma a nos deslocarmos dentro do bairro e desde o bairro até ao resto da cidade, ao resto do mundo. Que tipo de estradas, que tipo de transportes, movidos com que forma de energia. Em que género de espaço público pretendemos conviver e quanto deste concedemos a privados para serviços ou cultura. Pensamos em funções e criamos normas que refletem a vontade da comunidade a quem se destinam as funções. No centro estão, portanto, as pessoas, está a comunidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando uma casa se torna inabitável devido à degradação constante de tudo o que é material, é já tarde demais. Quando as casas em que vivemos não são aquecidas pelas formas normais e modernas, a vida torna-se insuportável. Quando a loja em que nos cruzamos com os vizinhos desaparece, por substituição, perdemos espaço de formação de identidade e ficamos apenas com a memória. Quando as pessoas que são evacuadas partem para outro local onde a vida seja menos penosa, levam a memória e no seu lugar fica o vazio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Casa ocupada em Prenzlauer Berg. “O capitalismo dita as normas, destrói, mata”.&lt;br/&gt;Foto (c) Jakob Finke.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Evacuação é o termo utilizado por quem luta pela defesa de Direitos Humanos. Evacuação forçada é a forma como caracterizamos o processo pelo qual as autoridades locais substituem pessoas por projetos industriais geradores de riqueza, projectos sempre megalómanos, conducentes também à realização de eventos desportivos ou até culturais, um pouco por todo o mundo e cada vez mais nos países emergentes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Contra estes processos muitos se indignam e apelam ao respeito pelos Direitos Humanos, universalmente consagrados. Quer seja em Berlim, quer seja em Pequim, a evacuação, seja qual for a sua natureza, nunca será um processo que contribua para a felicidade dessas pessoas nem para a identidade dos bairros e muito menos para o das cidades.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este artigo foi originalmente publicado no blog &lt;a href=&quot;http://berlin.cafebabel.com/pt/&quot;&gt;Berlin.Babel.Blog&lt;/a&gt; a 7 de Abril de 2011.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;29.08.2011</description>
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      <title>Berlim-Neukölln: o luxo de ser diferente</title>
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      <pubDate>Fri, 17 Jun 2011 09:49:15 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/6/17_Berlim-Neukolln__o_luxo_de_ser_diferente_files/CIMG0106_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object089.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:218px; height:163px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;De bairro social problemático a centro criativo da subcultura berlinense: em Berlim-Neukölln a cidade pulsa. O caldeirão fervilhante de mundos está a tornar-se mais e mais num ex-líbris da produção cultural. Essa é a grande aposta do Festival 48 Horas Neukölln, o maior festival de arte e cultura em Berlim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um grupo de raparigas jovens de origem turca passeia pela rua. As três do meio usam calças de ganga e blusas coloridas, ocultando o cabelo e a testa com um lenço; outra veste uma túnica verde pastel que a cobre da cabeça aos pés, deixando só o rosto de fora; as outras duas – saltos altos, calças de licra apertadas e top descobrindo a barriga – exibem o rosto excessivamente maquilhado e uma permanente de caracóis pretos que caem aos cachos. As seis vão cochichando, rindo, segredando em voz alta, como fazem todas as moças.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em qualquer outro lugar, este grupo heterogéneo de amigas seria algo bizarro. Não é o caso em Berlim-Neukölln. Este bairro, maioritariamente associado a pobreza, problemas sociais, integração deficiente, turcos, afegãos e libaneses, é retratado pelos jornais com títulos alarmistas que ou remetem para violência e desemprego ou se referem às minorias étnicas em tom paternalista. Neukölln será tudo isto – mas é, indiscutivelmente, de há uns anos para cá e em ritmo cada vez mais acelerado, um dos polos atuais da arte urbana berlinense. Os artistas plásticos, músicos, escritores, performers e criativos têm vindo a sair de Kreuzberg, devido ao preço crescente do arrendamento, e a deslocar-se para sul, para o bairro dos turcos. Neukölln, por ser um bairro de emigrantes, é um dos bairros mais baratos de Berlim em termos habitacionais. O medo de ter à porta uma vizinhança multiétnica faz com que, por exemplo, as casas senhoriais da Schillerpromenade – outrora passeio elegante para a burguesia rica de Berlim – sejam hoje arrendadas ao preço da chuva.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Immigrants love their children too&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A zona norte de Neukölln – chamada Kreuz-Kölln pelos berlinenses, devido à proximidade a Kreuzberg – foge aos clichês do bairro dos turcos, porque é muito mais do que isso. Quem vá à Hermannplatz num dia de verão vê gente de todo o mundo a passear nas ruas exibindo os seus trajes, qual desfile de moda étnica: bubus africanos, barretes turcos, túnicas marroquinas, tchadores negros, burcas azuis, havaianas brasileiras... As primeiras casas da Sonnenallee sublinham a diversidade: primeiro um restaurante turco, depois um cabeleireiro africano com montra repleta de perucas e fotografias de penteados muito elaborados (uma série de fotos de entrançados é legendada como american cut), uns metros mais à frente vários homens numa esplanada improvisada fumam tranquilamente os seus narguilés e, logo a seguir, dois bares da cena alternativa berlinense anunciam as atrações noturnas da semana.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;África em Berlim: bazar africano perto da Hermannplatz.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Se em torno da Hermannplatz há quase mais África do que Médio Oriente, já a zona sul do bairro é tradicionalmente habitada por turcos e afegãos. Na Werbellinerstraße, à porta de um dos muitos centros de integração, um homem espera pacientemente. Com facilidade lhe reconhecemos pelas roupas a origem afegã: calças de Aladino, túnica, colete, barba comprida, turbante. Se tivesse uma metralhadora ao ombro, seria um talibã como os que vemos nos noticiários. Assim parado, sério, impõe respeito. De repente, a porta abre-se e sai um rapazinho de cinco, seis anos. O talibã, em vez da metralhadora que lhe faltava, esgrime de imediato um enormíssimo sorriso, corre de braços abertos para o rapaz, levanta-o no ar por cima da cabeça e dá voltas e mais voltas com ele. Vão girando os dois enquanto gargalham. A cara da criança transborda de felicidade, assim agarrada ao pai. Nos anos 80, em plena guerra fria, o músico britânico Sting cantava “Russians love their children too”, para nos recordar que o mundo não é a preto e branco e que aqueles que são diabolizados pelos governos e pelos media são afinal gente como nós. Ainda bem que Neukölln nos volta a lembrar disso. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dos Templários aos escombros da 2ª Guerra Mundial&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não é a primeira vez que o bairro se transforma. Fundado pelos Templários, permaneceu durante séculos propriedade dos cavaleiros da Ordem de São João. No século XVIII tornou-se local de acolhimento dos exilados protestantes da Boémia, que encontraram proteção na corte de Frederico Guilherme I da Prússia. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, o Imperador Guilherme substituiu-lhe o antigo nome de Rixdorf pelo elegante Neukölln, devido à fama do bairro de albergar má vida e diversões duvidosas. Por fim, a abastada burguesia que vivia no sul do bairro cedeu lugar, nos anos 50 do século XX, às famílias turcas que vieram de forma massiva ajudar à reconstrução da Alemanha do pós-guerra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Várias atrações mantêm e espelham as transformações que Neukölln foi sofrendo: o bairro boémio Böhmisches Rixdorf, o cemitério turco do século XIX, a piscina neoclássica Stadtbad Neukölln, a Neuköllner Oper – um teatro de ópera alternativo – e o parque de Hasenheide, construído em parte de forma artificial por cima de uma montanha de escombros, resultantes do bombardeamento contínuo de Berlim durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um monumento no parque de Hasenheide lembra o enorme esforço de reconstrução da cidade a partir dos escombros gerados pelos bombardeamentos na 2ª Guerra Mundial.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esta mistura de herança histórica, problemas sociais, emigração e profusão de criadores torna Neukölln um lugar perfeito para dar largas à criatividade e à experimentação. Disso se aperceberam vários artistas, que ainda nos anos 90 decidiram lançar um festival que fizesse justiça às potencialidades criativas do bairro. Nasceu assim o Festival 48 Horas Neukölln, cujo objetivo é apoiar a arte e a cultura e fornecer aos artistas – residentes e não só – uma plataforma criativa para a mostra dos seus trabalhos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante as 48 horas em que o festival decorre – das 19h de sexta-feira às 19h de domingo – há por todo o bairro espetáculos de dança, teatro, exposições, performances, palestras e festas. O mote do festival em 2011 foi “luxo”, o que, num bairro com as características de Neukölln, não deixa de ser irónico. É esta ironia que as 550 atividades artísticas agendadas se propuseram explorar. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O festival aposta ainda em locais normalmente alheios à produção cultural, como o edifício da antiga Fábrica de Cerveja Kindl ou a prisão de Neukölln, fechada há cerca de trinta anos, mas também pátios, escadas, entradas de prédios, igrejas, casas particulares... Todas estas infraestruturas s\ao preenchidas com as mais variadas formas de expressão artística, desde a arte institucional até às manifestações da subcultura e arte outsider. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por exemplo, a pantomima “Um jantar com o diabo”, de Laura Gambiani e Nicolas Rocher, no Yuma Bar. Este bar, que pertence ao português João Freire, é regularmente palco de performances, concertos, leituras e outros eventos culturais. Em 2011 foi já a terceira vez que participou no Festival 48 horas. Depois da pantomima houve música pela noite fora, e no sábado à noite dois DJ’s e as colunas de som instaladas na rua, à porta do bar, garantiram festa rija em todas as redondezas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As ruas de Neukölln lá estão, com os seus africanos, brasileiros, as suas moças com e sem véu. Os artistas lá continuam, em inúmeras galerias, teatros, ateliês. A organização do Festival 48 Horas esperava este ano cerca de 70 000 visitantes. Neukölln vive. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;SUGESTÕES:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Um jantar com o diabo” - pantomima&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.yuma-bar.de/&quot;&gt;Yuma Bar&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;Reuterstr. 63&lt;br/&gt;12047 Berlin&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;48h Exposições de artes visuais	&lt;br/&gt;Alte Kindl-Brauerei&lt;br/&gt;Werbellinstr. 50&lt;br/&gt;12053 Berlin&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.dailyservices.net/&quot;&gt;Daily Deluxe&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;o coletivo de artistas daily services oferece massagens e serviços de wellness ao longo da Karl-Marx-Straße&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mostra coletiva de 40 artistas sobre a prisão de Neukölln&lt;br/&gt;Gefängnis Neukölln&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Salon Aida  - Penteados para usar com véu&lt;br/&gt;A cabeleireira Ichkuntana e a artista Persefoni Myrtsou fazem desta performance uma reflexão sobre o uso do véu a cobrir a cabeça.&lt;br/&gt;Thomasstr. 81&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.unterwasseroper.de/&quot;&gt;Unterwasseroper AquAria&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;ópera subaquática&lt;br/&gt;Stadtbad Neukölln&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mais informações em: &lt;a href=&quot;http://www.48-stunden-neukoelln.de/2011/index2.html&quot;&gt;http://www.48-stunden-neukoelln.de/2011/index2.html&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Revisão do texto: Madalena Simões&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;17.06.2011</description>
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      <title>Fátima, beijos e abraços: uma missa portuguesa em Berlim</title>
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      <pubDate>Fri, 22 Apr 2011 14:15:51 +0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Eintrage/2011/4/22_Fatima,_beijos_e_abracos__uma_missa_portuguesa_em_Berlim_files/Katharinenstift1_1.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.berlinda.org/Temas/Temas/Media/object090.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:217px; height:124px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;É para muitos ainda uma surpresa: em Berlim celebra-se uma vez por semana missa em português. Organizada pela Missão Portuguesa, esta Eucaristia tem lugar aos domingos às 11h, na capela Mater Dolorosa da Katharinenstift, Greifswalder Straße 18, em Prenzlauer Berg. Como é uma missa portuguesa vista por um alemão? Arno Widmann descreveu as suas impressões no jornal Berliner Zeitung.*&lt;br/&gt;A Missão fornece ao visitante livros de cânticos com os textos e as partituras, bem como informações detalhadas sobre a liturgia e os textos do Credo e do Pai Nosso. Mas, apesar de todas as ajudas, é sempre difícil para quem vem de fora saber quando se deve sentar, levantar, ajoelhar. “A rapariga ao meu lado demorou algum tempo até perceber que não se pode guiar pelo velhote ao lado dela. Ele também não faz ideia.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mater Dolorosa da Katharinenstift, Greifswalder Straße 18&lt;br/&gt;Algumas coisas são bastante estranhas para o jornalista. Por exemplo, a senhora de idade que avança para o microfone para ensaiar um cântico com a congregação. Tenta sem êxito animar os fiéis (“Mais depressa!”, “Mais alto!”), mas parece ter nos ouvintes o efeito contrário. Ou a proximidade corporal natural entre os portugueses: “No final da missa, cada um não só dá as mãos ao vizinho, como o abraça e beija. É mais contacto corporal do que eu alguma vez presenciei em missas quer católicas, quer evangélicas.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Para Widmann, este à-vontade com o corpo tem consequências: “Desta forma a congregação e todos os que assistem à missa assumem uma posição muito mais importante do que é costume. A missa não se orienta apenas para o altar e o sacerdote. Os crentes relacionam-se entre si. Deste modo, o papel do sacerdote é reduzido. Uma pequena revolução.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No dia desta visita, o papa João Paulo II foi beatificado, o que a homilia recordou brevemente: “O padre, pequeno, meigo e muito cordial, refere-a no sermão surpreendentemente curto. João Paulo II guiou a Igreja durante 27 anos, só muito poucos papas permaneceram mais tempo no cargo, e agora, passado tão pouco tempo, foi beatificado. Este é, esclarece o sacerdote, o primeiro passo para a canonização. De agora em diante podemos dirigir-nos a ele oficialmente como nosso intercessor.”&lt;br/&gt;Numa outra missa ter-se-á provavelmente falado mais sobre a beatificação e as suas implicações teológicas. Mas os portugueses preferem falar de si próprios e sobre o milagre de Fátima, esse lugar a 130 Km de Lisboa onde a Virgem Maria terá aparecido a três pastorinhos em 1917. “O papa agora beatificado, explica o padre, era devoto de Nossa Senhora de Fátima. Visitou o lugar três vezes. Para ele, o facto de o atentado que sofreu em 1981 ter sido a 13 de Maio não foi um acaso, mas sim vontade divina.” A Virgem terá profetizado três segredos. O segundo segredo de Fátima consiste numa condenação explícita da Revolução Russa, o que para os céticos levanta sérias dúvidas quanto à autenticidade do milagre. O terceiro segredo refere-se ao papa João Paulo II, que enquanto devoto de Fátima fez três visitas oficiais a este lugar de peregrinação. A 13 de Maio de 1981, precisamente em Fátima, o papa foi vítima de um atentado que quase lhe custou a vida. O facto de ter escapado ileso constituiu para ele uma prova da vontade divina. “O terceiro segredo de Fátima – segundo o qual o papa seria baleado – pareceu-lhe assim ter sido cumprido. Ofereceu como relíquia ao santuário de Fátima, continua o padre, a bala que perfurou a viatura e o atingiu. Esta bala, segundo se pode ler nas notas informativas do Santuário, foi encastoada por mestres joalheiros na coroa da estátua de Nossa Senhora de Fátima.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Deste modo, afirma o jornalista, os portugueses fecham habilmente o círculo em torno de João Paulo II e da sua beatificação. Para o visitante há ainda uma última surpresa: entoa-se o cântico “13 de Maio”, no qual a certa altura a Virgem Maria é chamada “Mãe Pátria”. “Assim se junta o católico ao nacional. Jesus é um dos seus filhos, Portugal o outro.” &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arno Widmann licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Frankfurt sob a orientação de Theodor Adorno. Foi, em 1979, um dos fundadores do jornal Tageszeitung, tendo aí assumido funções de redator de literatura e chefe de redação. Mais tarde tornou-se chefe de redação da Vogue alemã. Seguiram-se cargos como o de chefe da secção cultural do semanário Die Zeit e o de jornalista no Berliner Zeitung, onde se tem dedicado sobretudo à secção de Opinião. Desde 2007 dirige a secção cultural do Frankfurter Rundschau. Fonte: Wikipedia&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;* Baseado no artigo “Johannes Paul: Selig, katholisch und portugiesisch” de Arno Widmann, no jornal Berliner Zeitung de 3 de Maio de 2011.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;08.06.2011</description>
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